Quem é Márcio Canella, o deputado detido pela PF na Operação Unha e Carne

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Márcio Canella, deputado estadual preso pela PF (Foto: Instagram)

O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) foi preso em 15 de outubro pela Polícia Federal durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A ação, que investiga um esquema criminoso armado, mira o uso de postos de combustíveis para lavar recursos ilícitos. Canella havia sido empossado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro apenas dez dias antes, depois de conquistar 197.178 votos e garantir o segundo lugar entre os parlamentares estaduais mais votados em 2026.

A trajetória política de Canella começou em 2009, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde atuou como secretário municipal antes de se eleger vereador. Em seguida, alcançou três mandatos consecutivos na Alerj, sendo o candidato mais votado em 2022. Dois anos depois, em 2024, venceu a eleição para prefeito de Belford Roxo ainda no primeiro turno, mas renunciou ao cargo em abril de 2026 para concorrer ao Senado. Ao desistir da disputa senatorial, voltou a disputar vaga na Assembleia.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado utilizava empresas do setor de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para dar aparência legal a valores de origem criminosa. A apuração aponta que, em seis anos, foram movimentados R$ 7,6 bilhões, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A investigação também inclui a participação de agentes públicos e conexões políticas no funcionamento do esquema.

Nesta etapa, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão, cumpridos em endereços no Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Além de Canella, foram detidos o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Vinicius Amim Fernandes; os policiais civis Pablo Jukia Félix Ferreira (conhecido como Pablo Russo), Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior; e o secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo, Christiano Gaspar Fernandes.

As medidas judiciais também determinaram o bloqueio de bens e valores, além da suspensão das atividades de 112 empresas, das quais 96 eram postos de combustíveis usados para movimentar e ocultar recursos. Conforme a PF, os investigados poderão responder por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

Canella já havia sido preso no mês de julho, durante a sexta fase da mesma operação, quando agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 no veículo em que ele estava. Na ocasião, a defesa argumentou que a arma pertencia ao policial militar responsável pela sua segurança e estava devidamente registrada. Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou sua libertação, inicialmente com medidas cautelares que depois foram flexibilizadas.