
Central de monitoramento do Smart Sampa em São Paulo (Foto: Instagram)
A gestão municipal de São Paulo investiga o vazamento de informações do Smart Sampa, sistema de monitoramento por câmeras com tecnologia de reconhecimento facial. Em comunicado oficial, a administração afirmou que não houve falha nos mecanismos de segurança, atribuindo a exposição de dados confidenciais a um agente público que já foi afastado e cujos atos estão sob apuração da Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.
Segundo reportagem do UOL, o incidente teria ocorrido após uma brecha que permitiu a disponibilização de informações sensíveis na internet por cerca de 11 meses. Estima-se que mais de 58 mil equipamentos instalados em vias públicas, escolas, creches e hospitais ficaram vulneráveis a acessos não autorizados, mantendo imagens e metadados expostos a qualquer usuário da web.
De acordo com o portal de notícias, a plataforma foi acessada diretamente e exibiu registros em tempo real de crianças em ambientes escolares, veículos circulando pelas ruas e profissionais da segurança em suas bases operacionais. O conteúdo exposto incluía vídeos e imagens capturados por câmeras inteligentes espalhadas por diversos pontos da capital paulista.
As informações vazadas constavam em um repositório público que reunia 181 logins e senhas válidos para o sistema, além de dados cadastrais de mais de 6 mil integrantes da corporação de segurança. Também estavam disponíveis documentos que detalhavam o procedimento para instalar e operar o Smart Sampa em qualquer dispositivo eletrônico, ampliando o risco de reprodução não autorizada da plataforma.
Em nota à imprensa, a prefeitura reforçou que o incidente se deu por “vazamento ilegal de dados” cometido por um servidor entre os mais de 7.500 agentes de segurança e não por vulnerabilidade do software. “Ele já foi identificado, afastado e sua conduta está sendo investigada. Não houve em nenhum momento uso indevido da plataforma”, destacou o texto oficial, que criticou a tentativa de classificar o episódio como falha técnica.
Ainda de acordo com a administração municipal, o repositório foi rapidamente removido da internet e não havia menção direta a senhas de acesso. A tecnologia do Smart Sampa, segundo o poder público, emprega reconhecimento facial para auxiliar na localização de foragidos, no combate à violência urbana e na busca de pessoas desaparecidas.
Desde a implementação do programa, a prefeitura informa que 3.628 foragidos foram capturados e 284 desaparecidos foram encontrados, além de coibir furtos e clonagens de veículos pelas ruas da capital.






