
Placa na entrada do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, alvo de busca contra ex-secretário de TI investigado (Foto: Instagram)
A Polícia Federal cumpriu, nesta segunda-feira (19), mandado de busca e apreensão contra o ex-secretário de Tecnologia da Informação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Fontoura Pradera. Exonerado na semana passada, Pradera é investigado por supostamente vazar decisões judiciais antecipadas ao advogado Willer Tomaz, considerado amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação faz parte de um conjunto de diligências que visam aprofundar a apuração de possível antecipação ilícita de votos e julgamentos da Corte. Embora a ofensiva atual não inclua mandados direcionados ao senador Flávio Bolsonaro, ela utiliza o mesmo relatório da PF que embasou a investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Segundo o documento, há indícios de que Pradera compartilhava informações sensíveis de processos.
Conforme revelou reportagem, em 8 de maio a Polícia Federal encaminhou nova investigação ao STF, sob suspeita de movimentações financeiras irregulares relacionadas a Willer Tomaz. O inquérito foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que passou a autorizar medidas cautelares contra pessoas envolvidas no caso. A busca contra o ex-secretário de TI do STJ não tem caráter de ação contra o parlamentar, mas tem conexão com os mesmos indícios descritos pela PF.
No relatório citado, a corporação detalha diálogos entre Pradera e Willer em que o ex-servidor encaminhou ao advogado a foto da tela de um computador exibindo um documento jurídico de 17 páginas. O texto, que ainda não trazia assinatura de ministro, concluía pelo não conhecimento de recursos especiais. A imagem, segundo a PF, aparentava ter sido produzida dentro do ambiente funcional do tribunal, uma vez que havia carimbo na mesa.
Em seguida, de acordo com a investigação, Pradera explicou a Tomaz o teor da decisão prestes a ser proferida. Questionado por Willer sobre “qual o número deles”, o ex-secretário respondeu: “essa tá no REsp 2122969”, acrescentando que a tutela teria perdido efeito em razão do julgamento. Esse compartilhamento de conteúdo processual, acompanhado de interpretações sobre seus possíveis efeitos, reforça o indício de vazamento de informações privilegiadas.
Até o momento, nem Humberto Pradera nem Willer Tomaz se manifestaram sobre a operação. A PF segue com as apurações para esclarecer se houve favorecimento indevido e quais impactos essas condutas teriam no âmbito do STJ. A investigação integra uma ofensiva mais ampla do órgão contra a prática de vazamento de decisões judiciais e possível lavagem de dinheiro no contexto da Justiça Superior.






