
Ex-ministro Pedro Parente em debate político recente (Foto: Instagram)
O ex-ministro Pedro Parente afirmou que não votará em Flávio Bolsonaro no segundo turno e advertiu para o perigo de excessiva concentração de poder caso o candidato do PL seja eleito com o respaldo da maioria de direita no Congresso Nacional. Decepcionado com a atuação do governo Lula e insatisfeito com a falta de propostas concretas apresentadas por Flávio após um jantar com empresários, Parente descreve sua decisão como um dilema ético, mantendo a escolha final como algo “individual e solitário”.
Com passagens pela Casa Civil e pelo Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso, além de presidências na Petrobras e na BRF, Parente observa que o resultado do primeiro turno mudou significativamente a dinâmica eleitoral. Ele destaca que a eleição de uma maioria de direita tanto na Câmara quanto no Senado aumenta a disparidade entre os riscos oferecidos pelos dois finalistas. Para ele, o poder concentrado nas mãos de um único grupo político pode comprometer o equilíbrio institucional.
O ex-ministro compara o cenário brasileiro ao dos Estados Unidos, onde Donald Trump governou com maioria republicana em ambas as casas legislativas. “Agora tem um que realmente representa um risco para o país, dessa concentração de poder”, disse, ressaltando que isso é muito mais grave do que parecia antes do primeiro turno. Ainda assim, Parente mantém o voto em sigilo, ecoando o título de sua coluna “Convicção ou Responsabilidade?”, publicada no jornal O Globo.
A decisão de participar do jantar com Flávio Bolsonaro, organizado pelo ex-presidente do Credit Suisse Brasil Marcelo Kayath em São Paulo, foi justificada pelo desejo de ouvir diretamente quem pode vir a ser presidente. Parente publicou uma carta no LinkedIn em resposta a um texto de João Moreira Salles na revista piauí, no qual Salles criticava membros da elite econômica que se aproximaram do candidato do PL. Segundo Parente, ele saiu do encontro com uma opinião ainda mais negativa.
Em entrevista à BBC News Brasil, o ex-ministro explicou que, mesmo questionado, Flávio não conseguiu expor um projeto de país e que as poucas propostas econômicas apresentadas eram genéricas, defendidas não por ele, mas por assessores como a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Para Parente, a moderação de Flávio continua “um enigma”.
Sobre a eleição de 2022, Parente lembrou que votou em Lula por entender haver um risco à democracia, e considerou que as instituições resistiram ao teste. Porém, criticou o atual governo por ceder à velha política fisiológica, dando prioridade a acordos de bastidor e interesses de grupos em vez do bem público. Ele lamenta que Lula teve uma oportunidade histórica de reforçar instituições e apresentar uma agenda mais ambiciosa, mas acabou sucumbindo a acordos com o Centrão.
Por fim, ao comentar o jantar com Flávio Bolsonaro, Parente reafirmou que buscava ouvir o plano do candidato para o Brasil, mas voltou ainda mais preocupado. “Não vi nada concreto, apenas menções superficiais por assessores sobre reformas e ajuste fiscal”, afirmou. Até o encerramento das entrevistas e encontros, a incerteza sobre o real projeto econômico e político de Flávio permaneceu intacta.






