Pai perde 38 kg para doar parte do fígado e do intestino ao filho de 6 anos

Posted by

–

Gary Jackson perdeu 38 kg para conseguir doar parte do fígado e do intestino delgado ao filho Harry, de 6 anos, que enfrentava complicações de uma condição intestinal congênita e de uma doença hepática. O transplante foi realizado em janeiro de 2025, no King’s College Hospital, em Londres, na Inglaterra, após exames apontarem uma compatibilidade de 98% entre pai e filho. A cirurgia durou 17 horas.

Harry nasceu com má rotação intestinal, uma alteração no desenvolvimento do intestino durante a gestação que pode provocar complicações, como o vólvulo intestinal. Nessa situação, o órgão pode se torcer e comprometer a circulação sanguínea. Com o passar dos anos, o menino também desenvolveu uma doença hepática associada à insuficiência intestinal, relacionada à necessidade prolongada de receber nutrientes diretamente pela corrente sanguínea.

Diante do agravamento do quadro, a equipe médica conversou com os pais, Gary Jackson e Annie Cerveno, sobre a possibilidade de um transplante. Como a espera por um órgão de doador falecido poderia ser incerta, o casal decidiu investigar se algum dos dois poderia doar parte dos próprios órgãos ao filho.

Os exames identificaram uma compatibilidade de 98% no sistema de antígenos leucocitários humanos (HLA) entre Gary e Harry. O resultado permitiu que a equipe avançasse no planejamento do procedimento.

++ Vorcaro vota na Papuda, mas Bolsonaro é impedido de votar; entenda

Para se preparar para a doação, Gary perdeu 38 kg. Durante a cirurgia, realizada em janeiro de 2025, os médicos retiraram aproximadamente 20% de seu fígado e 1,5 metro do intestino delgado para transplantá-los ao menino.

Em entrevista à Sky News, o pai falou sobre a experiência de contribuir diretamente para o tratamento de Harry. “Continua sendo o maior privilégio da minha vida. Ver a recuperação dele e saber que pude desempenhar um papel tão importante em dar-lhe essa oportunidade é algo que nunca conseguirei descrever completamente em palavras”, declarou.

Annie também relembrou o período em que a família aguardava uma definição sobre o tratamento. Segundo ela, os pais inicialmente acreditavam que a possibilidade de um transplante ainda estava distante. “Como pais, nos sentimos completamente impotentes ao ver nosso filho esperando por algo tão incerto”, contou.

A mãe explicou que a decisão de investigar a compatibilidade surgiu da possibilidade de ajudar Harry sem depender exclusivamente da espera por um doador. “A ideia de que um de nós pudesse doar e dar a Harry essa oportunidade era algo que queríamos explorar imediatamente. Se houvesse alguma possibilidade de o ajudarmos nós mesmos, tínhamos que tentar”, afirmou.

++ Eleitor sofre mal-estar e morre durante votação em Pernambuco

O procedimento realizado em Harry é considerado raro por envolver a doação de partes de dois órgãos de uma pessoa viva. Segundo Miriam Cortes-Cerisuelo, cirurgiã especializada em transplantes e chefe clínica de cirurgia de transplante no King’s College Hospital, existem apenas dez registros mundiais desse tipo de transplante envolvendo crianças.

A médica também destacou que os transplantes de fígado com doadores vivos representam uma pequena parcela dos procedimentos realizados no Reino Unido. De acordo com ela, apenas três em cada 100 transplantes hepáticos no país utilizam essa modalidade de doação. “O órgão doado é de excelente qualidade, proveniente de um doador saudável, e o processo permite uma melhor preparação e planejamento para a cirurgia”, explicou.

Após o transplante, Gary destacou a recuperação do filho como parte mais importante de sua experiência como doador. O caso também chama a atenção pela possibilidade de realizar, em uma mesma cirurgia, a doação de parte do fígado e do intestino delgado de um familiar vivo.