A atleta espanhola Beatriz Flamini passou 500 dias isolada em uma caverna na região de Motril, na Andaluzia, sem contato direto com outras pessoas ou acesso à luz natural. A experiência, realizada a aproximadamente 70 metros de profundidade, fez parte de um projeto destinado a estudar os efeitos físicos e mentais do confinamento prolongado.
Ao deixar a caverna com a ajuda de espeleólogos, Beatriz falou sobre o período em que permaneceu afastada do mundo exterior. “Estou há um ano e meio sem falar com ninguém, só comigo mesma”, declarou. Apesar das condições do experimento, a atleta classificou a experiência como “excelente e insuperável”.
Durante o isolamento, Beatriz não tinha acesso a referências que permitissem acompanhar a passagem do tempo. A cerca de 10 quilômetros de Motril, ela permaneceu em um ambiente subterrâneo, utilizando iluminação artificial e tendo livros como parte de sua rotina.
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Câmeras instaladas no local permitiam registrar a experiência. A alimentação era fornecida por uma equipe de apoio, que deixava os mantimentos em um ponto da caverna para que a atleta pudesse recolhê-los sem estabelecer contato direto com outras pessoas.
O isolamento, porém, teve uma interrupção por motivos de segurança. Segundo o jornal espanhol El País, depois de aproximadamente 300 dias, um problema no roteador utilizado para enviar mensagens à equipe obrigou Beatriz a deixar temporariamente a caverna. Ela permaneceu isolada em uma barraca próxima à entrada enquanto o equipamento era substituído e, posteriormente, retomou a experiência. A interrupção durou cerca de oito dias.
O projeto contou com o apoio de pesquisadores e da Federação Andaluza de Espeleologia. David Reyes, responsável pela coordenação de segurança, destacou as condições estabelecidas para a experiência.
“Desafios deste tipo já aconteceram muitos, mas nenhum com todas as premissas deste: sozinha e em total isolamento, sem contato com o exterior, sem luz (natural), sem referências de tempo”, afirmou.
A atleta deixou a caverna em 14 de abril de 2023, após iniciar a experiência em novembro de 2021. O período de confinamento também foi acompanhado pela produtora espanhola Dokumalia, responsável pelo projeto de um documentário sobre a experiência. O material foi planejado para registrar tanto a rotina de Beatriz quanto os efeitos do isolamento prolongado sobre o corpo e a mente.














