
Viatura da Polícia Militar em ponto histórico de São Paulo (Foto: Instagram)
No primeiro semestre de 2026, São Paulo registrou 67 mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) envolvendo agentes de folga, a maior quantidade para o período desde 2022. Esse total corresponde a 19% das 358 ocorrências de MDIP notificados entre janeiro e junho, enquanto 81% dos casos (291) envolveram policiais em serviço.
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Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), compilados pela ONG Ponte, mostram que, em 2022, 35% dos MDIP do primeiro semestre envolveram agentes de folga (71 de 204). Em 2023 e 2024, esse percentual caiu para 23% e 15%, respectivamente, mantendo-se em 15% ao longo de 2025. Em 2026, a participação voltou a subir quatro pontos percentuais em comparação ao ano passado. O crescimento de casos com policiais fora de serviço concentrou-se majoritariamente na capital e na Grande São Paulo, região onde há também um apagão de informações sobre a atuação de agentes em “bicos” de segurança privada.
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Embora o interior paulista tenha somado mais MDIP no total — com 111 em 2024, 135 em 2025 e 126 em 2026 —, os casos envolvendo policiais de folga se destacaram na região metropolitana. No primeiro semestre de 2026, ocorrências desse tipo cresceram 35% na Grande São Paulo e 27% na capital em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, agentes fora de serviço participaram de 27% dos registros na Grande São Paulo e de 24% na capital.
Para Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, a concentração de policiais na região metropolitana não explica totalmente o aumento da letalidade, especialmente diante de uma queda acentuada nos roubos. Na capital, os roubos caíram de 59.677 casos em 2024 para 44.649 em 2026 (queda acumulada de 25,2%). Já na Grande São Paulo, as ocorrências recuaram de 26.652 para 15.656 no mesmo período (redução de 41,3%).
Rocha sugere que a prática de bicos em segurança privada, ainda que ilegal, possa influenciar na alta dos MDIP com agentes de folga. O caso do delator do PCC Antônio Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no estacionamento do Aeroporto de Guarulhos, expôs a ação de mais de dez policiais em atividade clandestina de segurança. Mesmo com a sanção da Lei 14.967/2024, que proibiu o bico no setor, a SSP-SP não dispõe de levantamentos sobre esse tipo de trabalho.
Especialistas ressaltam a pouca transparência nos inquéritos de mortes com policiais fora de serviço. Muitas vezes, a condição de agente em bico é omitida nos registros para evitar constrangimentos à família. Além disso, esses episódios raramente ganham atenção na imprensa, dificultando cobranças por esclarecimentos e reformas no sistema.
No primeiro semestre de 2026, foram registrados 1.193 homicídios dolosos em São Paulo. Somados aos 358 MDIP, as forças de segurança responderam por 23% das mortes violentas no estado, índice bem acima dos parâmetros internacionais de abuso de força — 10% conforme estudos de Ignácio Cano e 7% segundo Paul Chevigny.
Em nota, a SSP-SP afirmou que investiga todas as MDIP, revisou protocolos e vem ampliando o uso de câmeras corporais e de armas de menor potencial letal. A pasta também informou que o total de casos caiu 2,47% em comparação ao primeiro semestre de 2025.






