Uma declaração polêmica nas redes sociais pode colocar a carreira de um médico em risco. O assunto voltou ao centro do debate após um cardiologista afirmar que deixaria de atender pacientes com determinada preferência política. O episódio levantou uma dúvida importante: até onde vai a liberdade de expressão de um profissional da saúde e em que momento uma publicação pode se transformar em infração ética?
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O Código de Ética Médica determina que o atendimento seja realizado sem discriminação de qualquer natureza. Isso significa que opiniões pessoais não podem servir de justificativa para tratar pacientes de forma discriminatória. Segundo a especialista em branding para a área da saúde Queila Fonini, manifestações que colocam em dúvida a disposição do profissional para atender qualquer pessoa com respeito podem abalar a confiança dos pacientes e prejudicar sua reputação.
As consequências podem ir além de críticas na internet. A legislação que regulamenta os Conselhos de Medicina prevê penalidades disciplinares que incluem advertência confidencial, censura confidencial, censura pública, suspensão do exercício profissional e cassação do registro, conforme a gravidade da infração e após o devido processo. No entanto, uma publicação polêmica não significa perda automática do registro: é necessária a apuração pelos órgãos competentes, que avaliam se houve violação das normas profissionais.
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As regras também alcançam a presença digital dos médicos. A resolução do Conselho Federal de Medicina sobre publicidade médica permite divulgar informações profissionais nas redes sociais, mas exige respeito aos limites éticos e proíbe práticas como sensacionalismo e concorrência desleal. Especialistas alertam que buscar engajamento por meio de provocações e confrontos pode comprometer a credibilidade construída ao longo da carreira. Por isso, a liberdade de opinião precisa ser conciliada com a responsabilidade de quem exerce uma profissão ligada ao cuidado com a saúde e a vida.












