
Fachada do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia. (Foto: Instagram)
Uma ginecologista de Goiânia passou a ser investigada sob suspeita de orientar a equipe do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara a postergar altas de pacientes durante o fim de semana das eleições. Mensagens atribuídas à profissional teriam vinculado a permanência na unidade à preferência política dos internados, motivando denúncias que agora correm no Ministério Público Federal.
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De acordo com os diálogos divulgados, a chefe de ginecologia e obstetrícia, Marcella Segato de Sousa Melo, sugeriu que ninguém recebesse alta no sábado e no domingo do pleito, alegando que "a maioria é petista". Em outro trecho, teria feito referência ao número 22, associado ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), reforçando o caráter político das orientações.
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As conversas teriam ocorrido em 2 de setembro, sexta-feira antes do segundo turno, em um grupo interno do hospital. Além de atrasar as altas, a médica teria prometido notas máximas em rodízios de medicina a estudantes que comprovassem voto no PL, configurando possível uso de prerrogativa funcional para influenciar o resultado eleitoral.
A denúncia chegou ao advogado Alan Henrique Silva Marques por meio de um profissional de medicina que atuava sob a supervisão de Marcella e preferiu permanecer anônimo. Com base nas mensagens, o Ministério Público Federal recebeu o caso, que agora analisa se houve violação de deveres éticos e abuso de autoridade no ambiente de saúde pública.
Em nota, a administração do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara afirmou que não adota posicionamento político-partidário e que qualquer decisão sobre internação, permanência ou alta deve observar critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança. A direção confirmou a abertura de processo interno para apurar o contexto das mensagens e afastar conflitos de interesse.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia reforçou as orientações a toda a rede SUS, garantindo atendimento isonômico a todos os pacientes. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) também acompanha a denúncia, apurando-a sob sigilo conforme normas do processo ético-profissional, e solicitou esclarecimentos ao responsável técnico da instituição.






