
Lúcio Mauro Filho celebra a vida após diagnóstico precoce de câncer intestinal (Foto: Instagram)
O ator e comediante Lúcio Mauro Filho revelou, em entrevista ao programa “Alt Tabet”, que foi diagnosticado com câncer no intestino em 2022, após realizar uma colonoscopia durante um check-up motivado por complicações da covid-19.
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De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer colorretal — que engloba tumores no cólon ou no reto — está entre os mais frequentes no Brasil. A maioria dos casos tem início a partir de pólipos, lesões inicialmente benignas na parede interna do intestino que podem evoluir para tumores ao longo do tempo. Com exames de rastreamento, é possível identificar essas formações precocemente e intervir antes da progressão da doença, o que aumenta as chances de cura. “Além disso, quanto mais precoce for o diagnóstico, menor a complexidade do tratamento a ser realizado”, afirma a oncologista Erika Simplício, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
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Entre os principais exames para a detecção do câncer de intestino, estão o teste imunofecal (FIT) e a colonoscopia. O FIT é simples e não invasivo, feito a partir de uma amostra de fezes coletada em casa, que utiliza anticorpos específicos para identificar sangue oculto no material fecal — um possível indício de pólipos ou outras alterações intestinais. Erika ressalta que, ao contrário da colonoscopia, o teste não exige preparo intestinal nem sedação. “Um resultado positivo não confirma câncer, mas indica a necessidade de investigar a origem do sangramento”, diz a médica.
Na colonoscopia, um aparelho é introduzido pelo ânus para permitir a visualização direta do cólon e do reto. Durante o procedimento, o médico pode identificar tumores ou pólipos e, quando indicado, remover as lesões. Caso seja encontrada uma área suspeita, é possível colher uma amostra do tecido para biópsia em laboratório. “O exame que efetivamente confirma o diagnóstico de câncer colorretal é a colonoscopia com biópsia da lesão”, explica Erika. Após esse passo, exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, podem avaliar a extensão da doença e a possível disseminação para outros órgãos.
O acesso a esses exames varia entre as redes pública e privada. A oncologista Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), destaca que, no setor privado, há maior disponibilidade de colonoscopias, que podem ser usadas já como ferramenta inicial de rastreamento. Algumas sociedades médicas internacionais recomendam que pessoas de risco habitual iniciem esse acompanhamento a partir dos 45 anos.
No Sistema Único de Saúde (SUS), porém, a oferta de colonoscopias é mais restrita e difere por região. A partir de 2026, o Ministério da Saúde adotará o FIT como exame de referência para rastreamento em homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos. “Não ter acesso imediato à colonoscopia não impede o rastreamento”, destaca Erika. Nesse cenário, o FIT funciona como primeiro passo: se o resultado for positivo, o paciente é encaminhado para a colonoscopia, que investigará a origem do sangramento. A oncologista reforça que estratégias distintas não tornam um exame superior ao outro, mas complementares e com papéis diferenciados.
Segundo Clarissa, alguns sinais merecem atenção e investigação, tais como alterações no hábito intestinal — como prisão de ventre ou diarreia persistente —, presença de sangue nas fezes, dor abdominal, distensão da barriga, vômitos e perda de peso sem causa aparente. “Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas devem ser avaliados por um profissional”, alerta a especialista.






