A influenciadora colombiana Mila Morales passou por mudanças permanentes na aparência após iniciar o tratamento de um tumor desmoide diagnosticado em 2023, na região do glúteo. Durante os procedimentos médicos, que incluíram cirurgias e quimioterapia, ela desenvolveu despigmentação da pele e dos cabelos. A jovem contou como enfrentou essas transformações durante uma entrevista ao podcast Vos podés, apresentado por Tatiana Franco.
Mila relatou que os primeiros sintomas da doença surgiram com dores na perna esquerda. Depois de procurar atendimento médico em diferentes ocasiões, recebeu o diagnóstico de tumor desmoide, uma forma rara de fibromatose agressiva. A partir de então, precisou passar por intervenções cirúrgicas e iniciar o tratamento com medicamentos.
Segundo a influenciadora, a mudança na coloração da pele e dos cabelos ocorreu durante a quimioterapia. Ela afirmou que os médicos chegaram a considerar a possibilidade de recuperação da pigmentação, mas isso não aconteceu. “Parei de produzir melanina. Os médicos me avisaram que eu poderia recuperar minha cor original em alguns meses, mas já se passaram quase quatro anos e esta é a minha versão”, declarou.
A transformação também afetou a maneira como Mila enxergava a própria imagem. Durante a entrevista, ela contou que passou um período isolada e teve dificuldades para reconhecer a aparência que apresentava após o tratamento. “Passei semanas trancada, olhando para o espelho e sem me reconhecer. Eu não conseguia sustentar o olhar sem desabar.”
Antes do diagnóstico, a colombiana dedicava grande parte de sua rotina aos exercícios físicos e tinha como objetivo modificar a aparência dos glúteos. Segundo ela, a busca por esse resultado influenciava diretamente seus hábitos. “Sempre fui muito magra, mas queria ter glúteos grandes. Fazia até mil e quinhentos agachamentos por dia, se fosse necessário”, relembrou.
O fato de o tumor ter surgido justamente na região que concentrava suas preocupações estéticas também passou a fazer parte de suas reflexões sobre a doença. “O lugar da minha maior obsessão foi o lugar da minha maior cura. Precisei aprender a me reconciliar com essa parte de mim”, afirmou.
Com o passar do tempo, Mila começou a lidar de outra maneira com as mudanças físicas. Ela contou que a adaptação foi gradual e envolveu a necessidade de reconhecer uma nova fase de sua vida. “Percebi que estava me despedindo de uma fase e dando boas-vindas a outra, com mais ferramentas e sabedoria”, disse.
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A despigmentação também provocou dúvidas entre pessoas que passaram a acompanhar sua história. Segundo a influenciadora, algumas acreditavam que ela tinha albinismo ou que a coloração branca dos cabelos era resultado de procedimentos estéticos. “As pessoas pensavam que eu era albina ou que pintava o cabelo de branco. Recebi muitos comentários por falta de conhecimento, mas nenhum deles conseguiu me afetar”, contou.
Atualmente, Mila trabalha como modelo e designer de ambientes. Ela afirmou que a carreira na moda contribuiu para reconstruir sua relação com a própria aparência e compartilhar sua experiência com outras pessoas. “A carreira de modelo me ajudou a equilibrar a relação entre corpo e espírito. Uso minha experiência para inspirar outras pessoas em uma indústria que costuma ser superficial”, declarou.
A colombiana continua realizando quimioterapia oral e mantém cuidados relacionados à exposição solar e à alimentação. Apesar de ainda estar em tratamento, afirmou que procura enxergar sua condição de outra maneira. “Não me sinto doente, me sinto em processo de cura”, disse.
Ao refletir sobre as mudanças que enfrentou desde o diagnóstico, Mila também falou sobre a importância que atribui à maneira de lidar com as dificuldades. “O que acontece conosco não é o que nos define, mas a maneira como enfrentamos isso”, concluiu.














