
Navios aguardam definição de nova rota no Estreito de Ormuz (Foto: Instagram)
Irã e Omã anunciaram na quarta (05) que alcançaram a fase final de um entendimento para estabelecer uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz. Essa via só seria reaberta se os Estados Unidos levantarem o bloqueio aos portos iranianos, conforme condicionou Teerã.
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
O Estreito de Ormuz situa-se entre o território iraniano, ao norte, e a Península de Musandam, controlada por Omã, ao sul. Desde fevereiro, com o início do confronto no Oriente Médio, a passagem sofre limitações após o Irã impor uma barreira em resposta aos ataques americanos.
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, afirmou que o texto do acordo está em sua “fase final” e que Teerã e Mascate devem emitir uma “declaração conjunta” se “certas partes não obstruírem esse processo”, em referência aos EUA. O vice-ministro Kazem Gharibabadi explicou que o entendimento não significa a abertura plena do estreito, mas a adoção de um novo modelo em substituição às práticas dos últimos 60 anos, permitindo que uma parcela expressiva das embarcações transite por águas iranianas.
Gharibabadi reforçou que o Irã não aceitará interferência externa no Estreito de Ormuz e que, com o novo arranjo em vigor, as rotas temporárias atualmente operantes serão encerradas. Segundo ele, a alternativa seria inicialmente provisória, com vigência de dois a quatro meses e possibilidade de prorrogação, diante da incerteza sobre as condições futuras.
Sobre a cobrança de tarifas, o vice-ministro disse que a decisão cabe às autoridades iranianas superiores e está vinculada à reabertura do estreito. No memorando de entendimento assinado com os EUA em junho, o Irã comprometeu-se a não exigir taxas por 60 dias, mas detalhes sobre a contagem desse período não são “pertinentes” enquanto não houver negociações com Washington.
O vice-ministro detalhou que a implementação do acordo dependerá de ações americanas, como o fim do bloqueio naval aos portos iranianos, a suspensão de ataques contra o Irã, o levantamento de sanções revogadas e o desbloqueio de ativos iranianos no exterior. Sem esses passos, o entendimento não poderá entrar em vigor. Atualmente, não há conversas formais entre Irã e EUA, embora mensagens de Washington indiquem disposição de retornar a compromissos anteriores.
Nos EUA, o presidente Donald Trump declarou que um anúncio sobre o Estreito de Ormuz “poderia ocorrer” nos próximos dias, afirmando que “muito progresso foi feito”. O vice-presidente JD Vance reconheceu que as negociações são “complicadas” e podem exigir retrocessos antes de avançar, qualificando os iranianos como “pessoas extraordinariamente difíceis” e ressaltando que o processo exigirá tempo.






