
Notas de R$100 simbolizam o superávit primário de R$2,0 bilhões projetado para as estatais federais em 2026. (Foto: Instagram)
O governo federal, por meio do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) relativo ao 4º bimestre e divulgado nesta quinta-feira (24), projetou um superávit primário de R$ 2,0 bilhões para as empresas estatais federais em 2026. Essa é a primeira vez no ano que se espera saldo positivo, depois dos déficits de R$ 95,1 milhões no 3º bimestre e de R$ 1,362 bilhão no 2º bimestre, segundo o documento.
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A projeção de superávit de R$ 2,0 bilhões já considera exclusões orçamentárias: R$ 10 bilhões retirados da meta das estatais em função do plano de reestruturação dos Correios e outros R$ 5 bilhões não contabilizados devido a investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Sem essas exceções, o resultado primário ficaria negativo em R$ 11,079 bilhões, uma melhora diante dos R$ 13,577 bilhões de déficit estimados no relatório do 3º bimestre.
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O cálculo desse resultado levou em conta a execução orçamentária até julho de 2026 e projeções mensais das empresas estatais para o restante do ano, seguindo a distribuição prevista no Programa de Dispêndios Globais (PDG) de 2026. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 estabeleceu como meta um déficit primário de R$ 6,7 bilhões, número substancialmente diferente do saldo positivo agora projetado pelo governo.
Dentro desse cenário, a estimativa para o déficit dos Correios em 2026 recuou de R$ 7,454 bilhões no relatório do 3º bimestre para R$ 6,789 bilhões. A estatal tem buscado reestruturação desde que sua situação financeira se agravou e, em outubro de 2025, obteve a aprovação de um plano de recuperação pelo Conselho Administrativo, objetivando reverter a crise histórica que enfrenta.
Dados do Banco Central, apresentados em 31 de agosto nas Estatísticas Fiscais, mostram que as empresas estatais tiveram déficit primário de R$ 1,112 bilhão em julho e acumularam R$ 7,580 bilhões de déficit até aquele mês. Essa apuração segue metodologia e escopo distintos dos usados pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
O relatório do governo destaca que as divergências entre as estatísticas do Banco Central e os números da SEST são alvo de acompanhamento constante pelas equipes técnicas. Com a nova projeção, as estatais federais alcançam, pela primeira vez no ano, uma perspectiva de resultado primário positivo para 2026, indicando uma mudança relevante na trajetória fiscal dessas empresas.






