FMI: inteligência artificial impulsiona economias avançadas enquanto alta dos preços de energia pesa sobre emergentes

Posted by

–


Representantes do FMI em coletiva nas reuniões anuais em Bangcoc discutem projeções econômicas para 2026 (Foto: Instagram)

Impulsionado pelos investimentos em inteligência artificial, o Fundo Monetário Internacional elevou sua projeção de crescimento da economia mundial para 3,1% em 2026, ante estimativa anterior de 3,0%. Embora a atividade global demonstre resiliência, as divergências entre países ricos e emergentes se ampliam, em grande parte pela escalada dos preços de energia provocada pelo conflito no Oriente Médio.

Em suas estimativas divulgadas em 13 de outubro, em Bangcoc, o órgão manteve a previsão de 3,4% para 2027 e registrou avanço de 3,5% em 2025. Segundo o relatório, as economias avançadas, especialmente as asiáticas, se beneficiam do robusto aumento dos gastos com tecnologias de IA, o que explica a revisão para cima. Em contrapartida, nações exportadoras de manufaturados e importadoras de combustíveis enfrentam custos maiores para manter a produção.

O FMI destaca que muitos países emergentes recorreram a subsídios para amortecer o impacto na conta de energia de consumidores e empresas, esticando ainda mais recursos públicos já escassos. Essa dinâmica aprofunda as diferenças entre economias que capturam os ganhos de produtividade ligados à inteligência artificial e aquelas mais vulneráveis à volatilidade dos preços internacionais de petróleo e gás.

No caso brasileiro, o Fundo reduziu a estimativa de crescimento para 2026, de 2,4% para 2,2%, e projetou 1,9% em 2027. Entre os fatores apontados estão a política de juros elevados, a retirada gradual de estímulos fiscais e o cenário externo incerto. Além disso, o relatório chama atenção para o aumento da dívida pública e a persistência de pressões inflacionárias, ressaltando a necessidade de medidas que equilibrem políticas de curto prazo e estabilidade fiscal de longo prazo.

Em nível regional, a zona do euro superou expectativa inicial e deve crescer acima de 1% em 2026, puxada pela Alemanha (1,3%) e pela Espanha (2,5%). A França foi revisada para 0,4% neste ano e para 0,7% em 2027, afetada por eventos climáticos extremos e instabilidades políticas. No Oriente Médio, as projeções recuaram drasticamente: a Arábia Saudita terá retração de 3,3%, enquanto Iraque, Qatar, Kuwait e Bahrein devem encolher cerca de 16%; o Irã, 7,6%. O FMI avalia que a retomada dependerá do fim dos conflitos, mas alerta para elevada incerteza. Entre as grandes economias, a China desacelerou para 4,5% em 2026 e pouco mais de 4% em 2027, enquanto a Índia ganhou impulso, elevando sua previsão a 7%.

Por fim, o FMI reforçou a continuidade do apoio a Mali, Burkina Faso e Níger, países da África Ocidental sob governos militares. Em 8 de outubro, aprovou ao Níger um programa de US$ 203 milhões para três anos. Desde a chegada dos atuais regimes, as nações receberam cerca de US$ 1 bilhão em Direitos Especiais de Saque, e o Banco Mundial lançou iniciativas para emprego, infraestrutura e desenvolvimento do setor privado, embora a instituição financeira recém-criada pelos governos ainda não tenha efetuado desembolsos.