Filho de Osama bin Laden, tido como morto, surge em vídeo da Al-Qaeda

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Hamza bin Laden aparece em vídeo oficial da Al-Qaeda (Foto: Instagram)

Hamza bin Laden, até então dado como morto em 2019 pelos Estados Unidos, reapareceu em uma produção oficial da Al-Qaeda, reacendendo dúvidas sobre seu destino. Durante anos, ele foi apontado como possível sucessor de seu pai, Osama bin Laden, e chegou a ser considerado vítima de uma ação de contraterrorismo na fronteira entre Afeganistão e Paquistão. A nova gravação do grupo terrorista lança incertezas sobre as análises anteriores.

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O vídeo divulgado no dia 10 de setembro, com 52 minutos de duração, foi lançado às vésperas dos 25 anos dos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos. Nele, Hamza aparece discursando sobre uma suposta guerra contra o Islã e recita um poema religioso, reforçando a narrativa de resistência e luta armada do grupo.

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Especialistas em contraterrorismo alertam, porém, que a filmagem não é recente. Uma análise assinada pela ex-agente da CIA Sarah Adams indica que as cenas teriam sido captadas em agosto de 2021, na província de Kandahar, no Afeganistão. A Al-Qaeda manteve o material em sigilo por quase cinco anos antes de compartilhá-lo agora.

A morte de Hamza foi anunciada oficialmente pela Casa Branca em setembro de 2019, após uma operação coordenada pelos Estados Unidos na região que envolve Afeganistão e Paquistão. Na ocasião, o governo americano afirmou que sua eliminação seria um duro golpe para a liderança da Al-Qaeda e uma ruptura simbólica com o legado de Osama bin Laden, sem, contudo, apresentar o corpo.

Antes de ser declarado morto, Hamza bin Laden era visto como uma figura em ascensão dentro da organização, cotado para herdar cargos de comando. Autoridades americanas estimavam sua capacidade de atrair novos membros e liderar células terroristas, elevando sua importância estratégica dentro da rede jihadista.

Uma avaliação recente do jornal britânico Daily Mail aponta que a própria Al-Qaeda pode ter encenado a falsa morte para proteger Hamza, usando conversas e informações falsas para enganar serviços de inteligência. Após o assassinato de Ayman al-Zawahiri, em 2022, ele teria assumido um papel mais ativo na hierarquia do grupo.

Apesar de sua reaparição, não há indícios de ataque específico em andamento contra países ocidentais. Ainda assim, analistas destacam que a Al-Qaeda continua operando por meio de afiliados na África, Ásia e Oriente Médio, mantendo capacidade de recrutamento e ações violentas, como sequestros, atentados e assassinatos.

O retorno de Hamza bin Laden ocorre justamente no marco de 25 anos dos ataques de 11 de Setembro, que deixaram quase 3.000 vítimas nos Estados Unidos. Para o grupo terrorista, seu sobrenome reforça a conexão histórica com Osama bin Laden e pode servir como instrumento para unir diferentes gerações de militantes.