Espetáculo percorre os “brasis” de Darcy Ribeiro no Distrito Federal

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Elenco do espetáculo “O Povo Brasileiro e suas Canções” em Águas Claras (Foto: Instagram)

O projeto “O Povo Brasileiro e suas Canções: cantando os brasis de Darcy Ribeiro” encerra sua circulação no Distrito Federal com sessões nos dias 23 e 26 de outubro. No dia 23, às 15h, haverá uma apresentação gratuita aberta ao público no Instituto Koinonia, em Águas Claras. Já em 26 de outubro, o espetáculo se dirige exclusivamente a estudantes: às 8h, na Escola Agrícola de Vicente Pires; e às 10h45 e 13h30, no CEI 09 de Arniqueiras, também em Águas Claras.

Iniciada em 18 de setembro, a programação já contabilizou quatro apresentações para alunos em espaços como o CEIC Águas Claras, o CEF 10 de Taguatinga Sul e o Centro Social Formar. No total, serão sete sessões destinadas à comunidade escolar e apenas uma voltada ao público geral, reforçando o caráter educativo e multiplicador da iniciativa.

A atração se inspira no livro “O Povo Brasileiro – A formação e o sentido do Brasil”, de Darcy Ribeiro, e traz à cena as cinco matrizes culturais identificadas pelo antropólogo: crioulo, caboclo, sertanejo, caipira e sulino. Por meio de canções, textos dramatizados e intervenções de dança, o espetáculo busca traduzir esses “brasis” e aproximar a plateia de suas próprias origens.

No palco, o ator Matheus Loures dá voz aos trechos do texto, enquanto a dançarina Michelle Pereira assume as coreografias. A parte musical fica por conta de Carlinhos Veiga e sua banda, composta por Cláudia Barbosa (flauta), Enos Marcelino (acordeon e voz), Ismael Rattis (percussão) e Nelson Latif (baixo, cavaquinho e voz). “Queríamos dialogar com canções conhecidas, folclóricas e autorais, para provocar no público um sentido de pertencimento”, comenta Veiga.

O repertório inclui clássicos como “Farinha”, “O Trenzinho do Caipira”, “Vamos Dançar o Cavalo-Marinho”, “Prenda Minha” e “Esperando na Janela”. Segundo a flautista Cláudia Barbosa, a combinação de música, texto e dança cria uma ponte entre a audiência e as diversas expressões culturais brasileiras, muitas vezes cantadas sem que se conheça sua origem. O baixista Nelson Latif reforça que cada canção carrega fragmentos de história e modos de viver, contribuindo para o entendimento da formação nacional.

Ao revisitar os diferentes “brasis”, o espetáculo não deixa de abordar conflitos e desigualdades que marcaram o país. “Não queremos vender a ideia de um Brasil perfeito”, ressalta Carlinhos Veiga. “Essa pluralidade teve um custo alto e estamos em construção. É fundamental provocar uma reflexão crítica sobre encontros e desencontros que moldaram nossa sociedade.”