
Placa da obra “El Niño”, de Ubbo Enninga, destaca o fenômeno climático que deve afetar a energia em 2024. (Foto: Instagram)
A população brasileira precisa se preparar para interrupções mais extensas no fornecimento de energia elétrica em 2024 devido ao fenômeno El Niño, alerta Ricardo Brandão, diretor de Regulação da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee). Segundo ele, tanto redes aéreas quanto subterrâneas serão afetadas, com os impactos mais intensos começando a partir de outubro, quando o aquecimento das águas do Pacífico se refletirá em alterações climáticas em todo o país.
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Brandão destaca que pouco mais de 99% da malha de distribuição elétrica no Brasil é aérea e, portanto, extremamente vulnerável a condições climáticas adversas. Ele afirmou, durante um workshop para jornalistas, que o grande desafio das distribuidoras é tornar essa rede mais resistente a ventos fortes, chuvas intensas e outros fenômenos exacerbados pelo El Niño.
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O executivo explicou que os efeitos do El Niño podem representar, até 2050, um impacto negativo de cerca de 12% do Produto Interno Bruto da América do Sul. Em 2023, o Rio Grande do Sul viveu dois ciclones que testaram a rede, mas nada comparado com os episódios de 2024, quando algumas regiões ficaram submersas por até 31 dias consecutivos. Em Porto Alegre, por exemplo, mesmo com rede subterrânea, o alagamento comprometeu o fornecimento em pontos críticos.
As consequências variam conforme a região do país. No Norte e no Nordeste, a estiagem deve reduzir a geração de energia hidrelétrica e prejudicar o transporte de combustíveis por barcaças, obrigando a antecipação de estoques para termelétricas. Além disso, as queimadas nessa época elevam a concentração de fumaça, o que pode provocar desligamentos preventivos dos sistemas por risco de curto-circuito.
No Sul e Sudeste, o maior risco está nas chuvas volumosas e nos ventos intensos. Brandão lembrou de rajadas não previstas que causaram queda de linhas de transmissão no Paraná e no Rio de Janeiro. Segundo dados da Abradee, nos últimos dez anos o número de desastres climáticos registrados no país mais que dobrou, impactando diretamente nos tempos de restabelecimento do serviço.
Para enfrentar esses desafios, as distribuidoras planejam investimentos de R$ 260 bilhões entre 2026 e 2030, sendo 40% destinados à modernização das redes. Embora haja tecnologias de monitoramento e automação para reduzir o tempo de desligamento, não existe solução capaz de impedir os estragos causados pela queda de árvores de grande porte. Em estudos realizados após missões ao Japão e aos Estados Unidos, a Abradee observou que nesses países as árvores urbanas raramente ultrapassam 5 metros, enquanto no Brasil exemplares de 25 a 30 metros são comuns. A recomendação é substituir espécies exóticas por variedades menores para diminuir o risco de quedas em massa e acelerar o restabelecimento do fornecimento.






