Dólar registra leve alta e chega a R$ 5,16 em dia desfavorável para moedas emergentes

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Dólar fecha em alta de 0,20% a R$ 5,1620 em dia de cautela pré-Jackson Hole (Foto: Instagram)

Após oscilar próximo da estabilidade nas primeiras horas, o dólar ganhou força ante o real no fim da manhã desta quinta-feira, espelhando a valorização da moeda americana frente a divisas emergentes, sobretudo latino-americanas. Sem um gatilho específico identificado pelos operadores, o cenário segue de cautela às vésperas do discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole. O dólar à vista atingiu máxima de R$ 5,1756 e encerrou o dia em alta de 0,20%, a R$ 5,1620, acumulando ganho de 0,33% na semana, valorização de 1,81% em agosto (após recuo de 1,79% em julho) e queda de 5,96% no ano.

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Para o especialista em câmbio Nicolas Gomes, da Manchester Investimentos, a persistência da inflação nos EUA e o perfil da nova liderança do Fed ampliam as incertezas sobre a trajetória dos juros, pressionando divisas de emergentes. As taxas dos Treasuries subiram nesta quinta, impulsionadas pela alta do petróleo, que interrompeu três pregões em queda, agravada pelo impasse na reabertura do Estreito de Ormuz e pelo recrudescimento do conflito entre Rússia e Ucrânia. O contrato de Brent para novembro fechou em US$ 88,52, e o índice DXY oscilou em torno de 99,150 pontos.

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Viviane de Las Casas, da Valor Investments, acrescenta que, apesar do suporte de curto prazo proporcionado pelo alto carry e pela entrada de recursos do comércio exterior, o real pode sofrer com a combinação de eventual elevação dos juros nos EUA e cortes adicionais na Selic. “O diferencial de juros pode se anular nos dois lados, reduzindo uma das principais defesas da nossa moeda”, alerta a especialista, apontando para picos de volatilidade em razão da corrida presidencial.

Pela manhã, o Banco Central promoveu o “casadão”, operação simultânea de venda de dólares à vista com oferta de 20 mil contratos (US$ 1 bilhão) em swaps cambiais reversos, equivalentes à compra de dólar futuro. A oferta no mercado à vista foi totalmente absorvida, com aceitação de 12 propostas, o que indica que a autoridade monetária buscou prover liquidez em um fluxo mais desfavorável, em vez de visar atender a um pedido pontual.

Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Travelex Bank, destaca que o cupom cambial, que mede o juro em dólar no Brasil, segue comportado, o que sugere uma ação preventiva do BC para reduzir o estoque de swaps cambiais. Segundo ele, a cotação atual já embute elevadas chances de, ao menos, um aumento de juros pelo Fed ainda este ano. Há riscos, porém, de que dados de atividade e inflação nos EUA surpreendam para cima, pressionando a uma postura mais firme até 2027.

Para Weigt, além dos impactos globais, o desenrolar do processo eleitoral brasileiro tende a ganhar ainda mais peso na formação do câmbio ao longo dos próximos meses. “O resultado do pleito presidencial deve exercer influência mais decisiva sobre a taxa de câmbio daqui para frente”, afirma, lembrando que a expectativa de volatilidade e fluxo de capitais está amplamente ligada às definições políticas internas.