Dólar recua 0,81% em dia com eleições no radar e fecha setembro em baixa de 0,10%

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Dólar recua e fecha abaixo de R$ 5,20 com real em destaque (Foto: Instagram)

O dólar caiu 0,81% nesta quarta-feira (30) e encerrou a segunda sessão seguida abaixo de R$ 5,20, apesar da recuperação parcial da moeda nos mercados internacionais e da alta nos rendimentos dos Treasuries ao longo do dia. No mercado doméstico, o real se destacou como a divisa de melhor desempenho entre as mais líquidas, impulsionado pela expectativa de entrada de recursos estrangeiros em ações brasileiras diante do avanço nas chances do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.
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O dólar termina o mês de setembro com retração de 0,10%, depois de ter subido 2,16% em agosto. No trimestre, a divisa americana acumula alta de 0,23%. O real foi a única moeda da América Latina a se valorizar em setembro, atribuído em grande parte às incertezas e expectativas em torno do pleito presidencial, que aponta para um duelo acirrado entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Flávio Bolsonaro.
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Ao longo do pregão, o dólar à vista chegou ao menor nível de R$ 5,1643 antes de fechar cotado a R$ 5,1750. Na parte da manhã, operadores observaram de perto a disputa pela formação da última Ptax de setembro e do trimestre, fator que pode ter intensificado as oscilações cambiais. “Não há pesquisas que mostrem alta de Flávio, mas há enorme otimismo sobre o seu desempenho no primeiro turno”, relata um estrategista de uma relevante instituição financeira, que preferiu manter o anonimato.

Pesquisa Indexa/Broadcast divulgada ontem mostra Lula com 39% das intenções de voto contra 34% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o petista registra 43% e o candidato do PL, 42%, caracterizando empate técnico. Para José Faria Júnior, sócio-diretor da Wagner Investimentos, se a diferença entre os dois se mantiver reduzida, o câmbio pode subir até cerca de R$ 0,30 logo após o primeiro turno, conforme seus modelos indicam.

No exterior, o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,12% a 101,499 pontos, após atingir mínimas em 101,026. O índice encerra setembro com valorização de mais de 2%, projetando ganho anual próximo de 3,2%. De manhã, o DXY chegou a cair com a leitura abaixo do esperado do índice de preços de gastos com consumo (PCE) de agosto, medida de inflação preferida pelo Federal Reserve.

“Com a inflação americana mais contida, diminuem as apostas de alta de juros pelo Fed, beneficiando ativos de maior risco e atraindo fluxo externo ao Brasil”, afirma Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management. Ele também destaca que eventos técnicos, como a formação da taxa Ptax, pressionaram o câmbio.

Dados do Banco Central revelam que, entre 21 e 25 de setembro, o canal financeiro acumulou entradas líquidas de US$ 2,215 bilhões, elevando o saldo positivo nesse segmento para US$ 3,054 bilhões no período. Ainda assim, até 25 de setembro, o fluxo total do mês registra retirada líquida de US$ 4,025 bilhões, com saída de US$ 4,624 bilhões apenas no segmento financeiro.