
Real valoriza-se e dólar cai abaixo de R$ 5,20 com otimismo eleitoral (Foto: Instagram)
Na quarta-feira (30), apesar da recuperação parcial do dólar no exterior e da alta dos rendimentos dos Treasuries, o dólar recuou de forma consistente no mercado brasileiro, encerrando abaixo de R$ 5,20 após dois pregões. O real foi, de longe, a divisa de maior valorização entre as principais, influenciado por um provável ingresso de fluxo estrangeiro em ações locais, motivado pela percepção de avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial.
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Para parte do mercado financeiro, a vitória da oposição tende a reduzir os prêmios de risco associados ao quadro fiscal. “Não houve pesquisas nem ‘trackings’ mostrando crescimento de Flávio, mas há um otimismo muito grande com a possibilidade de que ele termine o primeiro turno muito bem posicionado”, afirma um estrategista de uma casa local que prefere não se identificar. Após alcançar a mínima de R$ 5,1643, o dólar à vista fechou em R$ 5,1750, queda de 0,81%. A disputa pela formação da última taxa Ptax de setembro e do trimestre na manhã de quarta pode ter intensificado a volatilidade. No mês, a moeda acumula retração de 0,10%, depois de alta de 2,16% em agosto; no trimestre, subiu 0,23%.
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Em setembro, o real foi a única divisa latino-americana a se valorizar, em grande parte devido às expectativas em torno da corrida presidencial. O favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dominante nas pesquisas em agosto, deu lugar nas últimas semanas a uma disputa muito mais equilibrada. Segundo José Faria Júnior, sócio-diretor da Wagner Investimentos, quanto menor a diferença entre Lula e Flávio, melhor será a reação do mercado após o primeiro turno, e seus modelos apontam para possível alta cambial de cerca de R$ 0,30 após a eleição.
Levantamento Indexa/Broadcast divulgado na manhã de quarta-feira mostra Lula com 39% das intenções de voto ante 34% de Flávio; no segundo turno, o petista marca 43% contra 42% do candidato do PL, em empate técnico – quadro semelhante ao de outras sondagens. No exterior, o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,12% perto do fim do dia, aos 101,499 pontos, depois de recuar a 101,026. O Dollar Index encerra setembro com ganho superior a 2%, elevando a alta anual para aproximadamente 3,20%.
Pela manhã, o DXY chegou a se desvalorizar na esteira da redução das apostas em nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro, após o índice de preços de gastos com consumo (PCE) de agosto nos EUA vir abaixo das projeções. “Com a inflação americana mais comportada, diminui a percepção de alta de juros, favorecendo o apetite por risco e provável entrada de fluxo externo em ativos locais”, observa Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management. Ele cita ainda fatores técnicos, como a disputa pela formação da ptax final de setembro e do trimestre, que podem ter amplificado os movimentos cambiais.
Dados do Banco Central, divulgados à tarde, indicam retomada do interesse estrangeiro por ativos domésticos na semana de 21 a 25 de setembro, quando o canal financeiro registrou entradas líquidas de US$ 2,215 bilhões, contribuindo para um saldo positivo total de US$ 3,054 bilhões. Apesar disso, o fluxo acumulado em setembro até o dia 25 permanece negativo em US$ 4,025 bilhões, com saída líquida de US$ 4,624 bilhões no segmento financeiro.






