Crise habitacional na Espanha mobiliza milhares e pressiona governo de Sanchéz

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Multidão em Madri protesta por moradia digna e preços justos (Foto: Instagram)

Neste sábado (3), dezenas de milhares de espanhóis tomaram as ruas de cidades como Madrid, Barcelona e Valência para reivindicar medidas que garantam moradia mais acessível e exigir a convocação de uma greve geral. O protesto ocorreu um dia após o parlamento rejeitar um conjunto de ações emergenciais que pretendia enfrentar a escalada dos custos de aluguel e conter despejos. A mobilização reflete o descontentamento com a profunda crise de habitação que afeta inquilinos em todo o país.

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Em Madrid, as principais avenidas do centro ferveram com faixas e gritos por justiça social e moradia digna. Já em Valência, no leste espanhol, a polícia recorreu a gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar um grupo que rompeu o bloqueio instalado nas imediações da Cidade das Artes e das Ciências – o complexo futurista projetado pelo arquiteto Santiago Calatrava. A tensão cresce diante da falta de diálogo entre autoridades e movimentos de inquilinos.

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A comoção nacional se intensificou depois do despejo de María del Carmen Abascal, de 87 anos, que morava há sete décadas em seu imóvel no centro de Madrid. A ação contra a idosa, executada em 23 de setembro, motivou um acampamento na Puerta del Sol, onde cerca de mil manifestantes instalaram barracas exigindo a restituição de direitos básicos aos inquilinos.

Um movimento semelhante surgiu na Plaza Catalunya, em Barcelona, com participantes determinadas a permanecer no local “até que o governo apresente soluções concretas para proteger quem aluga”. Eles reclamam da instabilidade gerada por contratos de curto prazo, reajustes abusivos e despejos sem oferta de alternativa habitacional.

Para responder à pressão social, o governo progressista de Pedro Sánchez anunciou um pacote de medidas emergenciais, incluindo restrições a despejos, controle de aumentos de aluguel e estímulo a contratos de prazo indeterminado. Também foram prometidos incentivos à construção de unidades de habitação social e recursos adicionais para famílias de baixa renda.

Porém, na sessão de ontem, partidos conservadores de oposição uniram-se para barrar a ratificação dessas iniciativas no Congresso. A rejeição parlamentar intensificou a revolta nas ruas e reacendeu especulações sobre uma possível antecipação das eleições nacionais, atualmente marcadas para o próximo ano. De acordo com a Associated Press, a crise habitacional segue sendo um dos principais desafios para o governo de Sanchéz.