
O presidente dos EUA, Donald Trump, exibe decreto com projeto de renomear Lago Ontário para “Lago América” enquanto mapa com a nova denominação aparece ao fundo. (Foto: Instagram)
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, rejeitou veementemente a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de alterar a denominação do Lago Ontário para “Lago América”. Em uma publicação nas suas redes sociais, Carney classificou a ideia como um símbolo deslocado, reafirmando a importância de preservar a identidade histórica e cultural do território compartilhado entre os dois países. Ao sublinhar que a renomeação não só ignoraria as raízes locais, mas também reescreveria séculos de memória coletiva, o premiê canadense demonstrou firmeza.
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Nos comentários que acompanharam sua postagem, Carney ressaltou que “Ontário” deriva do termo “Ontari’io” na língua Wendat, falada pelos povos indígenas da região dos Grandes Lagos. Conforme apontou o premiê, essa palavra significa “o lago é bonito, o lago é grande” e destaca a beleza natural que marcou aquele território muito antes das fronteiras modernas. O líder canadense frisou que esse topônimo indígena carrega séculos de história e simboliza o vínculo ancestral dos primeiros habitantes com o ambiente em torno da massa d’água.
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Além disso, Carney sublinhou que o nome Lago Ontário antecede tanto a formação da Confederação do Canadá, em 1867, quanto a promulgação da Declaração de Independência dos EUA, em 1776. Para ele, isso reforça o caráter legítimo do topônimo e torna imprópria qualquer tentativa de substituição. Segundo o primeiro-ministro, manter o nome tradicional não é apenas uma questão geográfica, mas também um reconhecimento do papel dos povos originários na construção da história da América do Norte.
O episódio, segundo Carney, reflete o momento de transformações que se desenrola nos Estados Unidos sob a gestão republicana. “Estamos diante de mudanças nos relacionamentos comerciais, na postura externa, nos monumentos nacionais e até nos hidrônimos”, argumentou o premiê, referindo-se às alterações de nomes geográficos. A declaração sugere preocupação com a redefinição de marcos simbólicos que moldam a percepção histórica e cultural tanto dos próprios norte-americanos quanto dos vizinhos canadenses.
Por fim, Carney fez uma defesa enfática da continuidade do uso de Lago Ontário: “Os canadenses sabem que nomear a realidade é reconhecê-la como ela existe. E esse lago sempre será Lago Ontário – agora e no futuro”, destacou. Com isso, o premiê reforça a soberania cultural do país e o respeito às tradições indígenas, além de deixar clara a disposição de Ottawa em manter um diálogo respeitoso, embora firme, com Washington sobre questões que envolvem história, geografia e identidade regional.






