Até a cerveja precisa ser produtiva? A nova geração está mudando o jeito de beber

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A cerveja que chega ao copo de uma parcela dos adultos mais jovens já não é necessariamente aquela associada ao álcool, às calorias ou ao tradicional “pé na jaca”. O mercado está apostando cada vez mais em versões sem álcool, de baixa caloria, low carb e sem glúten, acompanhando consumidores interessados em equilibrar vida social, alimentação, atividade física e bem-estar. Estudos recentes apontam que Millennials e integrantes da Geração Z estão entre os grupos que mais impulsionam o movimento de redução do álcool e o chamado sober curious, quando a pessoa diminui a bebida sem necessariamente abandonar completamente o consumo.

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No Brasil, a mudança aparece também nos números. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a produção declarada de cerveja sem álcool ou desalcoolizada saltou de 118,9 milhões de litros em 2023 para 757,4 milhões em 2024, uma alta de 536,9%. Em levantamento mais recente da Neogrid, a categoria passou de 2,5% do volume de cervejas consumidas no país em 2024 para 3,9% em 2026. Já as cervejas de baixa caloria também avançam: dados da HYPR apontaram crescimento de 30,6% nas vendas em São Paulo no primeiro semestre de 2026.

Por trás dessa mudança existe uma espécie de “produtividade do lazer”. A cerveja continua sendo associada a encontros, descanso e socialização, mas agora pode aparecer como uma escolha compatível com academia, dieta, trabalho no dia seguinte ou simplesmente com a decisão de beber menos. Em vez de abandonar completamente o ritual, parte dos consumidores parece querer preservar o copo na mão e a experiência social, mas reduzir aquilo que considera um custo: álcool, calorias ou determinados ingredientes. Pesquisas sobre o mercado NoLo apontam justamente saúde, bem-estar e moderação entre os fatores associados ao crescimento dessas bebidas.

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Isso não significa, porém, que uma cerveja “zero”, “fit” ou sem glúten seja automaticamente saudável. A ausência de álcool elimina os efeitos relacionados ao etanol, mas outras características nutricionais continuam dependendo do produto. E a versão sem glúten tem importância especial principalmente para pessoas com doença celíaca ou necessidade específica de evitar a proteína. No fim, a transformação mais curiosa talvez esteja menos dentro da lata e mais no comportamento: para uma geração acostumada a contar calorias, passos, horas de sono e minutos de treino, até a cerveja ganhou uma versão otimizada.