
Forças sauditas afirmaram ter interceptado mísseis lançados pelos houthis contra Riade. Estilhaços atingiram um edifício da Aramco, causando danos materiais, sem deixar feridos. (Foto: Instagram)
As forças sauditas anunciaram neste domingo (8) que interceptaram dois mísseis balísticos disparados pelos rebeldes houthis contra Riade. O comunicado foi divulgado pouco depois de autoridades emitirem um alerta e jornalistas da AFP relatarem explosões. Testemunhas disseram que o distrito financeiro foi atingido e que uma torre da petroleira Aramco sofreu danos.
O porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, Turki al-Malki, afirmou no X que o reino “interceptou e destruiu dois mísseis balísticos lançados pela milícia terrorista houthi em direção a Riade”. Ele também informou que dois mísseis de cruzeiro foram destruídos: um seguia para a capital e o outro, para o sul do país.
Três testemunhas disseram à AFP que a torre da Aramco no King Abdullah Financial District (KAFD) foi danificada. Vários andares pareciam ter sido afetados, com vidros quebrados e marcas na fachada. Inicialmente, não se sabia se os estragos foram causados por um impacto direto ou por destroços dos mísseis interceptados. Uma fonte do Ministério da Energia saudita declarou mais tarde que estilhaços atingiram o prédio após a destruição dos projéteis no ar. Houve apenas danos materiais, sem vítimas.
Um veículo de imprensa estatal publicou no X uma declaração de uma fonte oficial do Ministério da Energia sobre a tentativa de atingir um edifício da Saudi Aramco em Riade. O ataque ao KAFD pode representar uma escalada importante no conflito: o distrito é um dos símbolos da transformação econômica saudita e abriga a sede do Fundo de Investimentos Públicos (PIF), a bolsa de valores do reino e escritórios de grandes empresas internacionais.
A região também tem residências e uma estação de metrô movimentada nos horários de pico. Os disparos ocorreram poucas horas depois de o Ministério da Educação saudita anunciar, na noite de sábado, a retomada das aulas presenciais em Riade, após semanas de ensino a distância motivadas por uma onda anterior de ataques. A capital, especialmente seu aeroporto, tem sido alvo frequente desde a retomada das hostilidades em julho.
O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou nas redes sociais que os rebeldes realizaram seis operações com mísseis e drones contra instalações da Aramco, o aeroporto de Riade e posições militares sauditas. A ofensiva veio após os houthis acusarem a coalizão liderada por Riade de ataques que teriam matado 33 pessoas, incluindo mulheres e crianças, na província de Sanaa, no sábado. As autoridades sauditas não comentaram oficialmente as acusações.
Em paralelo, autoridades iemenitas disseram à AFP que a Síria enviará milhares de soldados para apoiar as forças que combatem os houthis, aliados do Irã. Uma fonte do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen afirmou que Damasco enviaria inicialmente 3 mil militares para ajudar a Arábia Saudita. Segundo uma fonte do Ministério da Defesa iemenita, o contingente poderia chegar a 10 mil soldados em etapas posteriores, e centenas de militares sírios já estariam em áreas de fronteira. Uma fonte diplomática síria, citada pela agência estatal SANA, contestou a informação e disse que não houve envio de tropas ao Iêmen “neste momento”.






