Argentina propõe ‘passaporte dourado’ para atrair estrangeiros ricos e captar dólares

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Ministro da Economia argentino em Paris apresenta o programa “passaporte dourado” para atrair investimentos (Foto: Instagram)

Na última sexta-feira (02), em meio a uma crise aguda de dívida, o governo argentino apresentou o projeto apelidado de “passaporte dourado”, que oferece cidadania a estrangeiros de alta renda em troca de investimentos. A iniciativa visa captar recursos em dólar com o objetivo de equilibrar as contas públicas, reduzindo a crescente pressão sobre o Tesouro. De acordo com o governo, o programa tem potencial para gerar até US$ 2,5 bilhões, conforme o volume de interessados que aderirem ao modelo.

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O plano, revelado pelo ministro da Economia, Luis Caputo, oferece duas modalidades de participação. A primeira exige uma contribuição não reembolsável de US$ 350 mil diretamente ao Tesouro, enquanto a segunda prevê investimentos de US$ 800 mil em um novo título público com prazo mínimo de manutenção de sete anos. As quantias são ajustadas conforme o tamanho da família, com previsão de aporte de US$ 500 mil para núcleos de quatro pessoas, conforme informado por autoridades argentinas.

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Para o presidente libertário Javier Milei, captar divisas estrangeiras é uma ação crucial enquanto ele se prepara para as eleições do próximo ano. O Tesouro argentino enfrenta quase US$ 25 bilhões em pagamentos de dívida em moeda estrangeira com vencimento até 2027, segundo dados oficiais, e a postergação de um retorno aos mercados internacionais de títulos reduziu as opções tradicionais de financiamento. Diante desse cenário, o programa de “passaporte dourado” surge como alternativa inovadora para diversificar as fontes de receita do país. Um consórcio de empresas de investimento que assessora o governo projetou que o plano possa arrecadar até US$ 2,5 bilhões, caso atinja o número de solicitantes esperado pelas autoridades.

O lançamento oficial ocorreu durante evento para investidores em Paris, onde Luis Caputo detalhou o funcionamento do programa e antecipou a abertura de inscrições antes do fim do ano. A proposta se alinha a uma tendência global: cerca de 60 países adotam versões de “visto dourado” ou programas de cidadania econômica, oferecendo privilégios de residência ou nacionalidade em troca de investimentos significativos. Tais modelos vêm atraindo atenção de nações com restrição orçamentária que buscam infusões rápidas de capital estrangeiro.

Entre exemplos recentes está o “gold card” lançado nos Estados Unidos pelo ex-presidente Donald Trump no ano passado, reforçando a popularidade dessa estratégia. No entanto, o programa argentino se destaca por visar diretamente a nacionalidade em lugar de apenas a residência. À medida que Milei se articula para a possível reeleição e enfrenta desafios econômicos, a injeção de dólares por meio do passaporte dourado poderá influenciar o equilíbrio fiscal e a percepção de investidores internacionais sobre a recuperação e a estabilidade futura do país.