
Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, durante anúncio sobre urânio não declarado na Síria (Foto: Instagram)
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão vinculado à ONU, confirmou durante uma inspeção realizada nos arredores de Damasco a existência de várias toneladas de urânio metálico natural na Síria. O material, até então não declarado às autoridades internacionais, foi identificado por especialistas que seguiram protocolos de verificação padrão da agência. Essa descoberta reforça a necessidade de monitoramento contínuo para garantir a transparência nas atividades nucleares do país.
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Segundo o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, o encontro em Damasco foi comunicado por meio de uma publicação na rede social X, na qual ele destacou o acordo firmado com o governo sírio. Ficou estipulado que todo o urânio encontrado será submetido às mesmas salvaguardas de rotina aplicadas pela agência reguladora da ONU. Essas medidas incluem auditorias regulares, análise de registros e acompanhamento técnico para impedir eventual desvio do material para fins bélicos.
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A equipe da AIEA também realizou uma visita a uma instalação em Deir Ez-Zor, no leste da Síria, onde estavam estocados grandes volumes de grafite relacionados a atividades nucleares realizadas no passado. O grafite desempenha papel fundamental em certos tipos de reatores, sendo utilizado como moderador de nêutrons. De acordo com Grossi, a presença desse insumo reforça a importância de escrutínio redobrado em locais associados a programas nucleares históricos.
Em seu relatório inicial, Rafael Mariano Grossi agradeceu ao governo sírio pela “cooperação proativa” durante todas as fases da inspeção. Ele ressaltou que a iniciativa visa desvincular o setor nuclear do país de finalidades militares, direcionando-o ao uso pacífico em áreas como geração de energia, segurança alimentar e pesquisa médica. O protocolo de salvaguardas da AIEA garante que qualquer material nuclear esteja sempre sob supervisão, impedindo que seja empregado em armamentos.
As salvaguardas de rotina implementadas pela AIEA compreendem uma combinação de inspeções in loco, verificação de inventários e monitoramento de transporte de substâncias sensíveis. Por meio dessas ações, a agência assegura que o país cumpra com os compromissos previstos no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e mantenha total transparência em relação aos estoques de material físsil. Analistas destacam que a adesão a esses procedimentos é essencial para a confiança internacional no programa nuclear sírio.
Esta operação na Síria integra um esforço global da Organização das Nações Unidas para reduzir riscos associados a armas nucleares e fomentar o desenvolvimento seguro de tecnologias atômicas. A AIEA, sediada em Viena, desempenha papel central ao equilibrar a necessidade de acesso pacífico à energia nuclear com os mecanismos de controle que impedem a proliferação. A descoberta de material não declarado reforça o alerta sobre potencial de uso militar e a importância de ações preventivas.






