A história esquecida dos vikings que chegaram à América 500 anos antes de Cristóvão Colombo

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Expedição viking chegando a Vinland com tripulação exibindo cachos de uvas (Foto: Instagram)

Em 1492 Cristóvão Colombo alcançou as Bahamas, mas navegadores vikings já exploravam a América do Norte há quase cinco séculos. As expedições não consistiam em travessias diretas do Atlântico; elas ocorriam por etapas, com paradas na Islândia e na Groenlândia. Essas viagens ficaram registradas em sagas escritas posteriormente, misturando elementos épicos a fatos históricos, e revelam que, muito antes de Colombo, nórdicos desbravaram terras que hoje fazem parte do Canadá.

O Flateyjarbók, manuscrito islandês do século XIV, é considerado uma fonte fundamental sobre a presença viking na América. Segundo relatos, em 1893 os organizadores da Exposição Universal de Chicago solicitaram o empréstimo do livro, oferecendo um navio de guerra, um trem blindado e um seguro milionário. O documento descreve a colonização da Groenlândia e a descoberta da América do Norte pelos nórdicos, ocorrida cerca de mil anos antes de 1492.

Em 1960 arqueólogos identificaram em L’Anse aux Meadows, na ilha de Terra Nova (Canadá), vestígios de um acampamento nórdico. Em 2021, uma nova técnica de datação confirmou que a ocupação ocorreu há aproximadamente mil anos. “Este é o começo de uma história esquecida: os séculos em que europeus visitaram a América em viagens que não deixaram registros escritos, apenas rastros nas águas”, afirmou Robin Ellis no programa Timewatch.

Os vikings chegaram à Islândia por volta de 870 e estabeleceram-se na Groenlândia cerca de cem anos depois. Dali, atravessaram cerca de 320 quilômetros pelo estreito de Davis até a ilha de Baffin, que chamaram de Helluland, a “terra das lajes de pedra”. Prosseguiram para o sul até Labrador, batizado de Markland, “terra das florestas”, e avançaram ainda mais até Vinland, a “terra das videiras”. “Passaram vários anos longe de casa”, disse Emily Lethbridge, da Universidade da Islândia.

Erik, o Vermelho, expulso da Noruega por assassinato, chegou à Islândia em 960 e foi banido em 982 após um conflito violento. Seu exílio levou-o a descobrir a Groenlândia, onde fundou uma colônia que perdurou cerca de 500 anos. A partir dessa base nórdica partiram expedições à América do Norte, em barcos abertos, desafiando condições extremas para explorar o que havia além do Atlântico.

Leif Eriksson, filho de Erik, o Vermelho, liderou diversas travessias até a costa americana. “Muita gente pensa que eles chegaram a Vinland uma vez e nunca mais voltaram, mas temos evidências de viagens ocasionais pelos dois ou três séculos seguintes”, explicou o arqueólogo Robert McGhee. Essas expedições mantiveram contato entre Groenlândia e as novas terras durante toda a Idade Média.

Evidências indicam que Colombo conhecia essas viagens nórdicas. No inverno de 1497-1498, o inglês John Day escreveu a Cristóvão Colombo relatando a expedição de John Cabot à América em 1497 e observando que marinheiros de Bristol já navegavam rumo ao norte há anos. Ao preferir uma rota mais longa pelo Atlântico, talvez ele tenha buscado evitar o Canadá e a Vinland, focando nas riquezas do Extremo Oriente. Apesar de o Dia de Colombo ser comemorado em 12 de outubro, não se deve esquecer as travessias vikings que vieram antes.