
Diretora do Fed Lisa Cook reforça autonomia do banco central em carta a Trump (Foto: Instagram)
A diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, enviou nesta quarta-feira (26) uma carta à Casa Branca reiterando que a administração Trump não dispõe de fundamento jurídico para retirá-la do conselho de diretores do banco central. A resposta da dirigente surge após novas ameaças de demissão por parte do governo, numa disputa que envolve a independência do Fed e o poder de ação presidencial em questões monetárias.
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Segundo Abbe Lowell e Norman Eisen, advogados que representam Cook, “pela segunda vez em um ano, explicamos por que não há base legal para o Presidente Trump removê-la por justa causa”. Eles destacam que um erro involuntário não configura fraude e que o próprio presidente e parte de seu gabinete teriam cometido falhas semelhantes em declarações. Os juristas afirmam ainda que “esses ataques não tratam de documentos imobiliários; são tentativas de forçar o Fed a se curvar à vontade de Trump.”
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O presidente Donald Trump já havia tentado afastar Cook há um ano, acusando-a de fraude hipotecária em razão de informações sobre duas de suas residências. Cook refuta a acusação, que jamais foi comprovada ou julgada em tribunal. Na ocasião, a Suprema Corte dos EUA permitiu que ela permanecesse no cargo enquanto o processo seguia em litígio, definindo que Trump poderia insistir na demissão apenas mediante notificação e oportunidade de defesa.
Autoridades da administração alegaram que Cook teria declarado duas casas como “residências principais” em pedidos de hipoteca, favorecendo-se de taxas ou valores de entrada reduzidos. A diretora rebateu que, em alguns formulários, referiu-se a uma das propriedades como “casa de férias” e não houve intenção de enganar instituições financeiras. Para ela, erros sem dolo não justificam sua destituição.
Caso Trump consiga afastá-la, ele terá margem para nomear um substituto e modificar a composição do colegiado do Fed, adquirindo maioria ao indicar mais diretores alinhados ao seu pensamento. O presidente vem criticando há meses a política de manutenção da taxa básica de juros pelo banco central, pressionando por cortes mais rápidos para impulsionar a economia.
O embate evidencia a tensão entre o Executivo e o Fed, cujo desenho institucional garante autonomia na condução da política monetária. A carta de Cook realça os limites legais à prerrogativa presidencial de destituir dirigentes da autoridade monetária sem motivação cabal. Com o desdobrar do caso, o mercado segue atento ao possível impacto sobre a independência do Fed e os rumos das decisões econômicas nos Estados Unidos.





