Embaixador dos EUA critica ofensiva israelense na Síria como ‘escalada desnecessária’

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Coluna de fumaça após ataque aéreo na base de Abu Duhur, Síria (Foto: Instagram)

O embaixador dos EUA na Turquia e enviado especial para a Síria, Tom Barrack, repreendeu os ataques aéreos israelenses contra a base de Abu Duhur, no noroeste da Síria, na madrugada desta terça-feira (18). A ofensiva provocou apenas danos materiais, sem vítimas, segundo a TV estatal síria. Barrack declarou que Washington está “profundamente preocupada” e classificou o episódio como “uma escalada desnecessária” que não favorece a estabilidade regional.

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De acordo com a emissora oficial, oito ataques atingiram a pista da base localizada na província de Idlib, sem fornecer detalhes adicionais. Nem as Forças Armadas de Israel nem as autoridades turcas se pronunciaram até o momento sobre o ocorrido.

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O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede no Reino Unido, relatou que combatentes estrangeiros costumavam operar na base, mas receberam ordem de retirada recentemente. A entidade também destacou que a Turquia, principal apoiadora do governo sírio interino, vinha recuperando o aeródromo, que estava fora de uso por anos em razão do conflito que deixou quase meio milhão de mortos.

Em postagem na rede social X, Barrack afirmou que os “ataques aéreos israelenses confirmados” em Abu Duhur configuram “uma escalada desnecessária que não contribui para a estabilidade regional”. Ele ressaltou ainda que o governo interino, liderado pelo presidente Ahmad al-Sharaa, não adotou postura predatória nem manteve forças de procuração, manifestando preferência constante por medidas de desescalada com Israel.

Segundo o embaixador, os Estados Unidos já sediaram e continuarão promovendo sessões de diálogo entre Israel e Síria, visando incentivar uma “cadência diplomática” em vez de recorrer a “frustração cinética”. Para Barrack, esse caminho é fundamental para evitar novas tensões e preservar a paz na região.

Desde a queda do governo de Bashar Assad, em dezembro de 2024, quando insurgentes chegaram ao centro de Damasco, as tensões entre Israel e Turquia em relação à Síria têm crescido. Após o colapso de Assad, Israel lançou centenas de ataques aéreos em várias regiões do país para destruir ativos do Exército sírio e impedir que armas caíssem em mãos de sucessores. No ano passado, drones israelenses atacaram um subúrbio ao sul de Damasco, resultando na morte de oito soldados e em diversos feridos. As novas lideranças em Damasco afirmam não buscar conflito com Israel, mas mantêm desconfiança em relação ao governo formado por ex-insurgentes islamistas.