
Exportadores criticam resposta de Lula ao ‘tarifaço’ dos EUA (Foto: Instagram)
Setores exportadores manifestaram desaprovação à decisão do governo federal de abrir processo de reciprocidade em resposta ao “tarifaço” aplicado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para representantes da indústria, a medida atende mais ao objetivo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reforçar o discurso de soberania nacional em ano eleitoral do que aos interesses das empresas impactadas pelas sobretaxas. O levantamento de custos e a pressão sobre os exportadores já afetados por barreiras americanas são pouco considerados na avaliação oficial.
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Líderes de entidades industriais ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, afirmam que o acionamento da lei de reciprocidade dificilmente trará vantagens imediatas nas negociações com o governo dos EUA. Eles ressaltam que, entre a aprovação de relatório interno, a fase de consulta pública e a deliberação final, poderão se passar ao menos três meses até que qualquer contramedida seja efetivada, tempo considerado muito longo para frear o impacto das tarifas norte-americanas sobre produtos como aço, alumínio e bens manufaturados.
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Nos bastidores, exportadores avaliam que a abertura do processo se ampara em cálculos políticos mais do que em fundamentos econômicos. “Estamos em ano eleitoral, e a reciprocidade vem ao encontro do discurso de soberania. Pode ser usada nesse aspecto”, comentou, em off, um dirigente de entidade que prefere não se identificar. Para ele, a reação oficial serve sobretudo para construir narrativa interna de enfrentamento a pressões externas.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, endossa a percepção de influência do calendário eleitoral na escolha pela reciprocidade. Segundo Castro, a iniciativa tende a gerar mais complicações do que ganhos efetivos na relação comercial com os Estados Unidos, pois coloca o Brasil em posição de confrontação desnecessária, no momento em que deveria buscar um diálogo pragmático para reduzir as sobretaxas impostas por Washington.
Castro acrescenta que, atualmente, o Brasil não dispõe de poder de barganha equivalente ao dos Estados Unidos, estando em condição de coadjuvante em negociações bilaterais de grande escala. “Eu preferiria que essa medida não tivesse sido tomada porque, neste momento, não estamos em condição de igualdade com os Estados Unidos. Pelo contrário, somos coadjuvantes, enquanto o outro lado é protagonista”, reforça.
Em síntese, o setor exportador permanece apreensivo com o efeito prático desse movimento, acreditando que ele pode retardar o atendimento às reivindicações das empresas brasileiras e contaminar o ambiente de negociação. A expectativa, entre empresários e analistas, é de que o governo avalie alternativas mais ágeis e menos pautadas por interesses político-eleitorais antes de aplicar novas contrapartidas comerciais.






