Brasileiros detidos na Islândia têm data marcada para retorno após pressão

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Ativistas brasileiros terão retorno agendado após ação na Islândia (Foto: Instagram)

Após intensa pressão de familiares e de organizações de apoio, três dos quatro brasileiros detidos na Islândia já têm datas marcadas para retornar ao Brasil: embarques estão agendados para os dias 17 e 18 de agosto. Um dos ativistas, por sua vez, aguarda confirmação de voo para 19 de agosto. Todos foram presos no final de julho durante protesto contra a caça comercial de baleias, e esses agendamentos representam um avanço nas negociações diplomáticas.

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Os ativistas identificados como Victor Calixto, Lucas Barbosa, Vitor Young e Rui Amorim foram detidos no dia 30 de julho, após uma intervenção da Guarda Costeira islandesa no navio com o qual participavam de manifestações em defesa dos cetáceos. No dia seguinte, todos foram levados para uma prisão em Reykjavík, capital da Islândia, onde permanecem até hoje enquanto aguardam a definição dos procedimentos judiciais e o cronograma de deportação.

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A ação que resultou na prisão teve início quando uma embarcação auxiliar chamada Bandero tentou interceptar um navio baleeiro que se afastava da área de pesca autorizada. Ao localizar uma das duas embarcações habilitadas a caçar baleias-fin na costa islandesa, agentes da Guarda Costeira acionaram helicópteros e drones e, com uso de força armada, assumiram o controle da embarcação de ativistas, conduzindo-a até o porto de Reykjavík.

O Bandero integra a Operação 86, campanha organizada pela ONG internacional Captain Paul Watson Foundation. A missão reuniu 21 tripulantes de 11 nacionalidades, cujo objetivo era monitorar e interromper a caça comercial de baleias-fin na região. A presença do grupo chamou atenção para o aumento dos abates e para o que defendem ser uma prática que ameaça a sobrevivência da espécie.

Enquanto os demais 16 tripulantes estrangeiros já foram liberados ou tiveram voos agendados, os brasileiros seguem presos aguardando solução. A Sea Shepherd Brasil informa que protocolizou pedidos formais ao Itamaraty e às autoridades islandesas requerendo maior celeridade nos trâmites de deportação. Um empecilho central é a necessidade de um policial islandês acompanhar os ativistas até o Brasil e a inexistência de voos diretos entre Reykjavík e cidades brasileiras, o que impede a passagem do agente por nações de escala.

Na temporada atual de caça na Islândia, já foram mortas 45 baleias-fin, segundo dados locais. O Bandero, embarcação auxiliar utilizada pelas ONG, permanece apreendido pelas autoridades islandesas, sem previsão de devolução e impedindo novas ações de monitoramento.

A bióloga Larissa Uema chama atenção para o estado crítico da baleia-fin, classificada como espécie em risco de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Ela destaca que o animal só atinge a maturidade sexual após seis anos, que o intervalo entre ciclos reprodutivos é de dois a três anos e que uma gestação leva de 11 a 12 meses, geralmente resultando em um único filhote.