Impressionante! Artista autista desenha cidades inteiras de memória

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Stephen Wiltshire se tornou conhecido por reproduzir paisagens urbanas com grande quantidade de detalhes depois de observá-las por um período curto. Diagnosticado com autismo aos 3 anos, ele começou a desenhar na infância e, ao longo da carreira, passou a retratar cidades como Londres, Nova York, Veneza, Jerusalém e Sydney.

Quando era criança, Stephen enfrentava dificuldades de comunicação. Sua primeira palavra foi “papel”, pronunciada aos 5 anos. Apesar disso, já demonstrava habilidade para reproduzir imagens da vida selvagem e caricaturas de professores.

Aos poucos, os prédios de Londres passaram a ocupar espaço central em seus desenhos. Sua irmã mais velha, Annette, costumava levá-lo à casa de um amigo que morava no 14º andar de um edifício, de onde Stephen tinha uma visão panorâmica da cidade. Segundo ela, a partir dessas experiências, “sua paixão se tornou obsessiva”.

Aos 8 anos, o artista recebeu sua primeira encomenda, feita pelo primeiro-ministro britânico. Aos 13, publicou seu primeiro livro de desenhos e passou a chamar a atenção do público e da mídia pela memória demonstrada em seus trabalhos.

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Em uma viagem a Nova York, Stephen conheceu o neurologista Oliver Sacks. Depois de observar rapidamente a residência dele, reproduziu o imóvel em um desenho.

Sacks posteriormente escreveu sobre a habilidade do artista: “A combinação de grandes habilidades com grandes deficiências apresenta um paradoxo extraordinário: como podem tais opostos viver lado a lado?”.

Em 1989, Stephen visitou Veneza e produziu seu primeiro panorama. A partir daí, passou a realizar desenhos urbanos que reproduzem ruas, edifícios e pontos turísticos a partir da memória.

Um dos trabalhos foi realizado após um passeio de helicóptero de 20 minutos sobre Nova York. Depois do voo, Stephen colocou no papel o que havia observado em uma folha de 5,8 metros de comprimento, enquanto o público acompanhava o processo por webcam. Seu trabalho também chegou à Cidade do México, representada em uma tela de 4 metros.

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Em 2006, Stephen recebeu do príncipe Charles a Ordem do Império Britânico por suas contribuições para a arte. No mesmo ano, inaugurou uma galeria própria no centro de Londres.

A carreira também transformou a dimensão de seu público. Atualmente, seus trabalhos possuem encomendas com espera de quatro a oito meses, enquanto vídeos de suas produções urbanas alcançam grande repercussão.

Annette, que administra a galeria, afirma que a exposição pública não modificou a forma como o irmão trabalha. “Stephen é extremamente humilde e não se deixa abalar de forma alguma”, disse ela.

Segundo Annette, a fama “não alterou sua concentração, nem o deixou nervoso… Acho que isso impulsiona ainda mais suas habilidades”.

Para ela, o trabalho do artista também ultrapassa as dificuldades de comunicação que marcaram sua infância: “A arte de Stephen fala uma linguagem que todos nós podemos entender”, afirmou.