Augusto Coutinho avalia enorme fragilidade de articulação de Flávio Bolsonaro

Posted by


Deputado Augusto Coutinho (REPUBLICANOS-PE) em entrevista no escritório (Foto: Instagram)

O líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, deputado Augusto Coutinho (PE), afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência segue competitiva, mas revela “fragilidade enorme” em sua articulação política. Para ele, o isolamento do senador decorre de dificuldades internas, tanto no partido quanto na própria família do pré-candidato.

++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas

Na terça-feira (4), o Republicanos, partido com 42 deputados federais, anunciou neutralidade na disputa presidencial, alinhando-se a outras legendas de centro. Em resposta, Flávio Bolsonaro optou por uma “chapa pura”, escolhendo como vice o colega de partido, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), em busca de coesão interna.

++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina

Durante entrevista ao programa Papo com Editor, do Broadcast Político (Grupo Estado), Coutinho admitiu ter esperado um impacto maior do áudio enviado por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ainda assim, avaliou que, apesar da gravidade da conversa, o episódio não derrubou significativamente as intenções de voto do pré-candidato, que continua isolado politicamente.

Augusto Coutinho cumpre seu quarto mandato como deputado federal. Antes de Brasília, foi vereador em Recife e deputado estadual em Pernambuco. Formado em engenharia civil, aos 63 anos é casado e pai de quatro filhos. Na Câmara, atuou como relator da proposta de regulamentação do trabalho por aplicativo, que nunca foi aprovada devido a divergências com o Executivo.

Sobre o potencial de articulação de Flávio, Coutinho destaca que viabilidade eleitoral não se confunde com força política. Ele citou o PP, cuja direção nacional não abraçou a ala bolsonarista, e lembrou que, no Republicanos, nove dos 27 diretórios defendiam aliança com Jair Bolsonaro, apenas um optou pelo PT, e o restante sugeriu independência. “Sem coesão partidária, não há campanha sólida”, afirmou.

Perguntado se o senador carece de habilidade para negociação, o líder do Republicanos fez um paralelo com a trajetória de Jair Bolsonaro em 2018, quando também estava isolado e, após a facada, ganhou visibilidade. Na reeleição de 2022, o presidente reuniu várias legendas em torno do projeto, graças à atuação do então ministro Ciro Nogueira, consolidando apoio para seu segundo mandato.

Coutinho classificou o áudio com Vorcaro como “fato grave” e admitiu surpresa por seu efeito relativamente reduzido na disputa. Segundo ele, o eleitorado que rejeita Luiz Inácio Lula da Silva pode ter relevado o episódio em prol da estratégia de frear o petista. Para Coutinho, a eleição permanece indefinida, pois, embora o presidente Lula lidere as pesquisas, sua rejeição é elevada, assim como a de Flávio.