PF indicia 16 pessoas pela tragédia com avião da Voepass

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Turboprop da Voepass sob investigação da Polícia Federal após queda em Vinhedo (Foto: Instagram)

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), ocorrida em 9 de agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas. No relatório final, 16 funcionários e ex-funcionários da companhia foram indiciados por atentado contra a segurança do transporte aéreo, após a investigação apontar uma série de falhas operacionais e uma cultura de omissão em diversos setores da empresa.

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Entre os indiciados estão despachantes de voo, comandantes, o inspetor técnico responsável pela manutenção e diretores da Voepass. Segundo o delegado André Ribeiro, chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, ficou evidente a existência de uma “cultura organizacional de não-reporte”, em que problemas operacionais eram sistematicamente omitidos ou minimizados em todos os níveis hierárquicos.

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O laudo pericial, com cerca de 200 páginas, concluiu que o acidente foi desencadeado pela perda de controle da aeronave devido ao acúmulo de gelo nas asas. A investigação revelou ainda a inoperância do sistema pneumático de degelo e a não execução dos procedimentos de ativação e verificação recomendados pela fabricante, agravados por condições meteorológicas extremas. Em voos anteriores, diferentes tripulações já haviam registrado falhas no mesmo sistema.

Segundo o relatório, a aeronave também decolou com os limpadores de para-brisa inoperantes, situação contrária à Lista de Equipamentos Mínimos (MEL). Embora a falha não tenha sido apontada como causa principal do acidente, ela reforça o cenário de descumprimento de normas de segurança. O voo PTB-2283 partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP) e caiu perto do aeroporto de Vinhedo, matando 58 passageiros e quatro tripulantes.

Durante a entrevista coletiva que oficializou o indiciamento, o diretor do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, Carlos Eduardo Palhares, explicou que a perícia aeronáutica incluiu identificação das vítimas, análise do local da queda e reconstrução da dinâmica do acidente. Ele destacou a importância de examinar cada etapa do voo para entender como as falhas se somaram até o desastre.

Até o momento, a Voepass não divulgou posicionamento sobre os indiciamentos. Com o inquérito concluído, o relatório será remetido ao Ministério Público Federal, que decidirá se oferece denúncia contra os investigados ou solicita diligências adicionais para complementar as apurações.