
Cartazes na Parada LGBTQIA+ de Buenos Aires deram as boas-vindas ao papa Leão XIV e ironizaram o símbolo político de Javier Milei com a frase “Finalmente um Leão que une”. (Foto: Instagram)
A chegada do papa Leão XIV à Argentina, neste domingo (8), ganhou dimensão política nas ruas de Buenos Aires. No sábado (7), durante a Parada LGBTQIA+, cartazes deram as boas-vindas ao Bispo de Roma, enquanto outros ironizaram o governo de extrema-direita de Javier Milei com a frase: “Finalmente um Leão que une”.
A mensagem faz um trocadilho com o nome do pontífice e o leão adotado pelo presidente como símbolo político. Os cartazes foram colocados no centro da capital e nos bairros de Palermo e Recoleta. Assinados como “Queremos”, não revelaram quem organizou ou financiou a iniciativa.
A ironia alude ao perfil conciliador e pacifista de Robert Prevost, cuja presença tende a promover unidade entre argentinos em um país marcado pela divisão política. A comparação contrasta com a imagem do leão usada por Milei nas redes sociais, em faixas e até na música de abertura de seus comícios.
O presidente recorre a ataques contra adversários políticos, por vezes com insultos, e costuma retratar seus críticos como inimigos que devem ser “eliminados” da Argentina. O pontífice, por sua vez, leva ao país uma agenda centrada em questões sociais, incluindo pobreza, justiça social e cuidado com pessoas com deficiência.
Leão XIV desembarcou no Uruguai na sexta-feira (8), no início de uma viagem de 12 dias pela América do Sul, e deve chegar à Argentina na tarde deste domingo. O encontro com Milei está previsto para as 17h20 locais, em uma cerimônia na Casa Rosada, seguida de uma reunião oficial com o presidente.
A pauta social do papa pode contrastar com a ideologia e os resultados práticos do governo argentino. Milei considera a própria ideia de “justiça social” uma “aberração”, por entender que ela contraria os princípios do capitalismo e do livre mercado.
Para Prevost, em contrapartida, a justiça social foi a principal inspiração para escolher seu nome. A decisão homenageia Leão XIII e sua encíclica “Rerum Novarum”, texto que deu origem à doutrina social da Igreja.






