
Avião da Voepass em exposição, lembrança silenciosa da tragédia em Vinhedo (Foto: Instagram)
O laudo da Polícia Federal (PF) sobre a queda do voo da Voepass em Vinhedo, que resultou na morte de 62 pessoas, expõe falhas recorrentes no sistema de degelo da aeronave que não foram devidamente sinalizadas pelas tripulações dos voos anteriores. O documento, divulgado pelo Fantástico e confirmado pelo Estadão, inclui transcrições de diálogos da caixa-preta que atestam o acionamento repetido de alertas e procedimentos inadequados de reset, revelando que o problema persistia sem ser oficialmente reportado. O episódio levanta questões sobre a conduta da companhia e a manutenção dos procedimentos de segurança, uma vez que os alertas críticos foram omitidos antes do voo fatal.
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De acordo com o laudo da PF, a causa imediata do acidente foi a perda de controle em voo provocada pelo acúmulo de gelo na fuselagem, agravada pela inoperância do sistema pneumático de degelo e pela não execução tempestiva e correta dos procedimentos recomendados para falhas no degelo, degradação de performance e estol. O relatório destaca que a tripulação não seguiu as orientações nos momentos cruciais, o que impediu a correção da deterioração do desempenho da aeronave.
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Nas gravações da viagem anterior, de Guarulhos a Cascavel, o alerta “AIRFRAME FAULT”, referente às falhas no sistema de degelo, disparou oito vezes, e a equipe em voo efetuou ao menos cinco resets do dispositivo. Durante a aproximação a Cascavel, o piloto chegou a comentar que o gelo havia “voado” após ouvir um estrondo, e celebrou com o copiloto a “chegada viva” ao solo, sem registrar formalmente o incidente.
A PF qualificou os registros como indicativo de um “comportamento sistêmico de falhas”, pois as mensagens críticas foram recorrentes em intervalos curtos e não foram relatadas. Segundo o relatório, as tripulações que ignoraram esses sinais permitiram que as inconsistências repetitivas permanecessem ocultas, mantendo o sistema de degelo operando de forma intermitente e sem correção efetiva.
No voo que culminou na tragédia, a tripulação descreveu a aeronave como um “Fusquinha” — fazendo referência ao carro do filme Herbie — ao comentar as falhas. Eles notaram grande formação de gelo, lamentaram a inoperância do sistema (“essa bosta não tá funcionando”) e reconheceram que não haviam reportado o problema. Em seguida, surgiram alertas de “Performance Degradada”, “Increase Speed” e estol, até o sinal final de proximidade com o solo.
Esse conjunto de evidências reforça a necessidade de revisão nos protocolos de manutenção e de treinamento de tripulações para lidar com condições severas de gelo. Investigadores recomendam maior rigor na documentação de falhas e no acompanhamento das manutenções corretivas, a fim de evitar que alertas críticos sejam negligenciados. A conclusão do laudo da PF ainda deve subsidiar futuras ações administrativas e judiciais contra responsáveis pela segurança operacional da companhia.






