Bulgária escolhe presidente em disputa sobre Rússia e guerra na Ucrânia

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Eleitores da Bulgária vão às urnas no segundo turno de uma disputa presidencial acirrada, marcada por debates sobre segurança, economia e política externa. (Foto: Instagram)

Os búlgaros foram às urnas neste domingo (1º) para escolher o próximo presidente, em uma disputa acirrada que tem como pano de fundo as tensões no Mar Negro, a segurança regional e a situação econômica do país. A eleição opõe a presidente interina Iliana Iotova, de 62 anos, ao ex-primeiro-ministro interino Andrey Gyurov, de 50.

No primeiro turno, realizado na semana passada, Iotova obteve 35% dos votos, enquanto Gyurov recebeu 32%. A diferença de três pontos percentuais ficou bem abaixo do que apontavam as pesquisas, que chegaram a prever uma vantagem de até 20 pontos para a candidata.

A votação ocorre depois de ataques com drones contra navios comerciais no Mar Negro, em outubro. Cerca de 30 pessoas estão desaparecidas, incluindo 21 após ataques registrados ao largo da costa búlgara. Os dois candidatos condenaram os episódios. O governo afirma que ainda não há provas para atribuir diretamente os ataques a Moscou, mas os incidentes ampliaram o temor de que a guerra na Ucrânia se espalhe para outros países da região.

Iotova defende negociações para encerrar o conflito e se apresenta como uma “presidente da paz”. Em um debate na televisão, declarou que “a paz só pode vir por meio de negociações” e criticou o aumento do envio de armas à Ucrânia. Embora reafirme o compromisso da Bulgária com a União Europeia e a Otan, ela defende uma política externa guiada pelo interesse nacional. Ao votar em uma escola de Sófia, disse ter escolhido uma Bulgária “forte dentro de uma Europa forte”.

Gyurov, apoiado pela oposição pró-europeia e por partidos reformistas, defende maior alinhamento com os países ocidentais e apoio firme a Kiev. Durante a campanha, criticou Iotova por não responsabilizar diretamente Moscou pelos ataques no Mar Negro. “A Rússia precisa interromper sua agressão para que os próximos passos possam ser dados”, afirmou. Entre os políticos de direita que o apoiaram está o ex-primeiro-ministro Boiko Borisov.

A disputa evidencia divisões históricas no país, que mantém laços antigos com Moscou, mas integra a Otan desde 2004 e a União Europeia desde 2007. A guerra colocou em destaque temas como segurança, política externa e o papel búlgaro no bloco ocidental. A economia também influencia a escolha: a Bulgária é o país mais pobre da União Europeia, e Iotova prometeu combater o que chamou de “terrível problema da pobreza”.

O primeiro turno teve participação historicamente baixa, com apenas 23% dos eleitores nas urnas. No segundo turno, até as 11 horas da manhã, o comparecimento era de 6,1%, segundo a Comissão Eleitoral, ante 5,8% no mesmo horário da votação anterior. A presidência tem poderes mais limitados que o governo numa república parlamentar, mas exerce influência em política externa e defesa. Se eleita, Iotova será a primeira mulher a presidir a Bulgária, país com cerca de 6,4 milhões de habitantes. As primeiras projeções de boca de urna devem sair após o fechamento das urnas; o resultado oficial é esperado nesta segunda-feira.