Você pode controlar seus sonhos? Ciência revela como funciona o fenômeno que intriga especialistas

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Imagine perceber que está sonhando e, em vez de apenas assistir às cenas, conseguir escolher o que acontece. Essa experiência existe e recebe o nome de sonho lúcido. Nela, a pessoa reconhece que está dormindo e, em alguns casos, consegue mudar o rumo da própria história. Uma pesquisa de doutorado do neurocientista Sérgio Arthuro Mota-Rolim, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), aponta que cerca de 75% dos brasileiros já tiveram pelo menos um episódio, embora a maioria tenha vivenciado a experiência dez vezes ou menos ao longo da vida.

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O fenômeno costuma acontecer durante o sono REM, fase em que os olhos apresentam movimentos rápidos e os sonhos são mais frequentes. Estudos também indicam que a percepção da passagem do tempo em sonhos lúcidos pode ser semelhante à de quando estamos acordados. É importante não confundir essa experiência com sonhos muito realistas ou falsos despertares: a característica principal é saber, enquanto o sonho acontece, que tudo aquilo não corresponde à realidade.

Quem deseja aumentar as chances de ter sonhos lúcidos pode experimentar algumas técnicas. Uma delas é manter um diário e anotar os detalhes dos sonhos assim que acordar, ajudando a reconhecer padrões. Outra estratégia consiste em pensar no que gostaria de sonhar antes de dormir. Também existe a técnica de despertar brevemente, recordar uma experiência noturna e voltar a dormir concentrando a atenção nela. Os resultados, porém, variam: algumas pessoas conseguem desenvolver a habilidade, enquanto outras não apresentam o mesmo resultado.

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Além da curiosidade, os sonhos lúcidos despertam interesse científico por suas possíveis aplicações. Pesquisas associam episódios frequentes a um melhor desempenho em determinadas tarefas de resolução de problemas visuais, e a experiência pode ajudar algumas pessoas a lidar com emoções difíceis e pesadelos recorrentes. No entanto, nem sempre é possível controlar o enredo, e alguns indivíduos relatam desconforto, principalmente quando há interrupções frequentes do sono ou paralisia do sono. Estudos cerebrais identificaram maior atividade nas regiões frontal e occipital, levando pesquisadores a investigar a hipótese de que o fenômeno represente uma espécie de transição entre o sono REM e o estado de vigília.