
As políticas migratórias do segundo governo Donald Trump reduziram os registros de entradas na fronteira sul dos Estados Unidos e ampliaram detenções e deportações, enquanto operações do ICE geram críticas. (Foto: Instagram)
A imigração voltou a ocupar o centro do debate nos Estados Unidos durante o segundo mandato de Donald Trump. Desde seu retorno à Casa Branca, em 2025, o governo reduziu drasticamente os cruzamentos na fronteira sul, acelerou a construção de barreiras e ampliou detenções e deportações. Também restringiu vistos, revogou proteções como o TPS e limitou a entrada de refugiados, cuja admissão ficou quase exclusivamente voltada a afrikaners.
Na campanha de 2024, Trump prometeu fechar as fronteiras e realizar deportações em massa. A queda no número de migrantes que tentam entrar no país foi expressiva: entre 2023 e 2024, durante o governo de Joe Biden, houve mais de 4,5 milhões de “encontros” na fronteira sul — abordagens, interceptações ou detenções. Após o retorno de Trump, os registros despencaram. Em novembro de 2025, em El Paso, no Texas, ruas que antes tinham acampamentos improvisados com milhares de imigrantes estavam tranquilas.
Para reduzir o fluxo, o governo congelou, na prática, os pedidos de asilo na fronteira, encerrou a política de deter e liberar migrantes nos Estados Unidos, enviou soldados para a região e pressionou o México a conter o deslocamento de pessoas em direção ao norte. Em 16 de outubro, o secretário de Segurança Nacional, Markwayne Mullin, afirmou que os dados demonstravam o cumprimento da promessa de uma fronteira segura e que a aplicação rigorosa da lei funcionava.
A construção do muro também avançou. Aprovada a lei One Big Beautiful Bill, o governo obteve US$ 46,5 bilhões em novos recursos. Antes de Trump retornar ao cargo, havia cerca de 1 mil quilômetros de muro principal e 120 km de barreiras secundárias. Desde então, foram concluídos outros 402 km de barreiras primárias, secundárias e aquáticas, além da instalação de tecnologias de detecção. Outros 2.322 km estão em construção.
O impacto do muro sobre a imigração é contestado. Aaron Reichlin-Melnick, do Conselho Americano de Imigração, disse que a construção não foi acompanhada por mudanças significativas nos cruzamentos e atribuiu a redução sobretudo às políticas e à mensagem de Trump. Em 17 de outubro, durante um comício em Kentucky, o presidente voltou a defender a obra e afirmou que o México havia pago por ela por meio de tarifas e outros custos.
Dentro do país, as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) elevaram as detenções e deportações. Em julho de 2026, quase 50 mil pessoas foram detidas, segundo o Projeto de Dados sobre Deportação, ligado à Universidade da Califórnia em Berkeley e Los Angeles. Naquele mês, apenas 27% dos detidos tinham antecedentes criminais, o menor índice registrado. Em meados de julho, o ICE deportava, em média, 1.255 pessoas por dia, ante cerca de 770 nos últimos meses do governo Biden.
As operações provocaram críticas, inclusive de parte dos eleitores favoráveis a regras migratórias mais rígidas. A Metro Surge, realizada em Minneapolis no início de 2026, durou dois meses e deixou dois cidadãos americanos mortos. Pesquisa do The New York Times e do instituto Siena, publicada em 21 de outubro, indicou que 50% dos eleitores confiavam mais nos democratas para lidar com imigração, contra 46% nos republicanos. No fim de setembro, levantamento do Politico e da Public First apontou que 31% dos republicanos que não seguem o movimento Maga consideravam a campanha agressiva demais.






