
Torcida brasileira exibe bandeira em estádio em meio a crise diplomática (Foto: Instagram)
O Planalto manifestou forte repúdio à decisão dos Estados Unidos de cancelar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, considerando a medida parte de uma “escalada deliberada de ações hostis ao Brasil”. Em nota divulgada na noite de terça-feira, 4, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou que Washington tenta, de modo indevido, influenciar o processo eleitoral de outubro, rompendo o padrão de respeito mútuo que sempre marcou a relação bilateral.
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Na mesma comunicação, o governo contestou as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado, classificando-as como inverídicas. A primeira diz respeito ao anúncio público do nome do indicado a chefiar a embaixada americana em Brasília, Daniel Perez, antes do pedido formal de agrément — aprovação que ainda está em análise, pois não há prazo definido para sua concessão. Conforme o Brasil, essa antecipação unilateral fere o protocolo diplomático.
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Por outro lado, os americanos alegam que o governo Lula vem criando obstáculos sistemáticos para impedir que Perez assuma a representação diplomática em Brasília. Essa tensão teria motivado a revogação do visto de Maria Luiza Viotti como retaliação direta às supostas ações brasileiras contra o indicado norte-americano, reforçando o ambiente de disputa política entre os dois países.
Em resposta, o Brasil também cancelou os vistos de dois funcionários do Departamento de Estado, Riley Barnes e Samuel Samson. Segundo a Secom, eles planejavam visitar o país para questionar a segurança e integridade do sistema eleitoral brasileiro — tentativa considerada “inaceitável” e configurada como interferência no processo político nacional.
A nota presidencial lembra ainda que outras autoridades brasileiras permanecem com vistos negados pelos EUA, sob a justificativa de suposta perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O governo destacou ter buscado solução para essas pendências durante a visita do presidente Lula a Washington, em maio, quando pediu ao presidente Donald Trump o levantamento das sanções individuais impostas contra servidores brasileiros.
Por fim, o Executivo afirmou que não aceitará a postura confrontacional adotada pelo governo Trump e defendeu a retomada do diálogo e da negociação como pilares de sua diplomacia. A estratégia oficial, concluiu o texto da Secom, é reforçar o entendimento mútuo e evitar que as divergências políticas sirvam de pretexto para abalar a parceria bilateral.






