
Assessores diplomáticos brasileiros em Washington reagem à revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viott (Foto: Instagram)
Integrantes do governo Lula reagiram com surpresa à decisão de Donald Trump de revogar o visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viott, classificando a medida como pressão política e chantagem. O Planalto ainda não se manifestou oficialmente sobre o episódio.
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O gesto de retaliação, anunciado em 4 de junho, foi motivado pela demora do governo brasileiro em dar aval a Daniel Perez, deputado da Flórida escolhido como futuro embaixador americano no Brasil. Irritado com o atraso na concessão do agrément, o Departamento de Estado norte-americano cancelou o visto de Viott.
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O Departamento de Estado deixou claro a jornalistas que a revogação equivale a uma expulsão e só será anulada quando o Brasil aceitar oficialmente a indicação de Perez e resolver o impasse diplomático. Apesar disso, fontes do órgão afirmaram que Viott não precisa deixar os EUA de imediato e poderá permanecer até a questão ser solucionada. Reclamam que o Itamaraty vem “segurando” o processo de consulta de forma proposital.
No fim de julho, o jornal Estadão revelou que o governo Lula pretendia adiar a decisão sobre Perez até após as eleições, em meio à crise provocada pelo aumento de tarifas. A ação de Trump foi recebida em Brasília como uma tentativa de chantagear o Planalto às vésperas do pleito e faz parte de uma série de embates envolvendo vistos e tributos entre os dois governos.
Diplomatas brasileiros ouvidos reservadamente pelo Estadão disseram que o tema não será debatido publicamente. Em conversas privadas, mencionaram o claro condicionamento feito pelo Departamento de Estado e falaram em um “comitê de campanha” atuando no governo Trump, temendo riscos de aprovar a nomeação ideológica de Perez em pleno período eleitoral.
Antes, integrantes da equipe de Lula argumentavam que não havia pressa para avaliar o nome de Perez, já que Trump levou um ano e meio para indicar seu próprio representante. Desde janeiro de 2025, a embaixada dos EUA em Brasília está sob a chefia de um encarregado de negócios, após Elizabeth Bagley, colaboradora de Joe Biden, encerrar sua missão.
Embaixadores brasileiros também afirmam que Trump ignora a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, cujo artigo 4º estabelece a necessidade de agrément prévio. No caso de Perez, o presidente americano enviou seu nome ao Senado em 1º de junho, mas a solicitação formal ao Brasil só teria ocorrido quase um mês depois. Apesar de passar dois meses sem resposta, a nomeação já segue no Congresso dos EUA, tendo sido aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. Na diplomacia, atrasos prolongados costumam ser interpretados como objeções e podem provocar mal-estar ou levar à substituição do indicado.





