
Cédulas de euro sobre teclado e gráfico financeiro representam movimentações sob investigação (Foto: Instagram)
O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, afirmou que disponibilizou seus sigilos bancário e fiscal integralmente à Justiça. Segundo ele, a transferência de R$ 249 mil para a lobista Roberta Luchsinger tratou-se exclusivamente de um empréstimo pessoal, quitado por meio de uma movimentação bancária de caráter privado.
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
Em nota oficial, Marcola declarou ter constituído advogado para apresentar todos os documentos necessários ao esclarecimento dos fatos. Ele reforçou que orientou o representante legal a usar contratos e extratos bancários para demonstrar a lisura da operação, afirmando sempre pautar sua atuação pública pela ética, compromisso e transparência.
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
A transação entre Marcola e Roberta Luchsinger foi mencionada pela Polícia Federal no pedido de abertura de inquérito para investigar eventual tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto. Uma das linhas de apuração é se o valor pago teria sido utilizado como propina para facilitar acordos com o governo.
Surpreso com a repercussão, o ex-assessor afirmou nunca ter mantido qualquer relação que caracterizasse ilegalidade em suas funções. “Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal”, disse ele, que deixou o cargo no dia 21 de julho.
Fontes ligadas ao caso revelaram que Roberta Luchsinger negociou ações com o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, para abrir portas no governo federal e prospectar negócios em áreas como saúde e tecnologia. Mensagens obtidas pelo Estadão mostram conversas sobre possíveis contratos e apoio político.
Entre as hipóteses sob investigação está o suposto envolvimento de Lulinha em viagens custeadas por empresas interessadas em projetos governamentais. Em uma delas, o filho do presidente teve uma viagem a Portugal paga pelo Careca do INSS para conhecer projetos de cannabis medicinal.
Conforme apurou o Estadão/Broadcast, Roberta Luchsinger visitou mais de 40 vezes órgãos do governo federal entre 2023 e 2025, sem registro em agendas oficiais. As entradas ocorreram em ministérios como o da Secretaria de Relações Institucionais, então comandado por Alexandre Padilha, e no Ministério da Saúde, muitas vezes acompanhada por Antunes.
Até o momento, a Polícia Federal instaurou dois inquéritos para apurar as suspeitas de tráfico de influência: um voltado ao Ministério da Saúde e ao Planalto, e outro relacionado a negócios na Dataprev, ambos distribuídos ao ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal. Um terceiro pedido de investigação, que trata de outras frentes de negócio, foi enviado ao ministro Flávio Dino, mas ainda não teve decisão de abertura.






