Olhary expande IA para licitações em mercado de R$ 1 trilhão

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A brasileira Olhary anunciou a expansão de sua plataforma de inteligência artificial para acompanhar etapas da venda ao governo, da previsão de oportunidades à execução de contratos. (Foto: Instagram)

A Olhary, empresa brasileira de tecnologia para o mercado B2G, anunciou a expansão de sua plataforma de inteligência artificial para acompanhar a jornada de vendas ao governo. O setor movimentou mais de R$ 1 trilhão em 2025. A empresa mapeou 20 etapas dessa jornada e informa que sua solução cobre 12, com maior profundidade na fase anterior à disputa.

Segundo balanço do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o Brasil teve mais de 1 milhão de compras públicas em 2025. Micro e pequenas empresas realizaram 481,7 mil licitações, no valor total de R$ 272,6 bilhões; microempreendedores individuais participaram de 62,22 mil, somando R$ 12,08 bilhões. Os sistemas integrados ao Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) passaram de 105, em 2023, para 205, em 2025. No mundo, governos movimentam cerca de US$ 13 trilhões anuais em contratos públicos, segundo estimativa da Open Contracting Partnership.

Entre as empresas do setor, a brasileira Effecti declara atender mais de 3 mil clientes, integrar mais de 1.400 portais e captar mais de 60 mil oportunidades por mês. Seu robô de lances registrou mais de R$ 82 bilhões em licitações arrematadas. No Reino Unido, a plataforma Stotles levantou US$ 13 milhões em uma rodada Series A em 2025 e gerencia mais de 100 milhões de pontos de dados de mais de 100 portais.

Uma auditoria interna realizada em 22 de outubro identificou 342 funcionalidades da Olhary, distribuídas em 34 áreas de produto, 504 alterações nos 30 dias anteriores e dez itens em desenvolvimento. No período analisado, a API recebeu 1.143 chamadas de dois consumidores, sem erros 5xx e com latência p95 de 269 ms. O Olhary Predictor já reúne busca, investigação, análise de editais e documentos de habilitação, além de integração por API.

O roteiro da plataforma prevê integrar progressivamente CRM, decisões go/no-go, precificação, propostas, portais, contratos e execução financeira ao núcleo de inteligência. Um estudo interno identificou 17 concorrentes diretos no Brasil, além de dez portais transacionais e outras plataformas especializadas. Enquanto empresas mais consolidadas atuam com maturidade em propostas, disputas e operação, a Olhary pretende se diferenciar combinando previsão pré-edital, investigação, dados correlacionados, APIs e aprendizado com os resultados.

A arquitetura planejada tem cinco camadas: dados do PNCP, portais, APIs, fontes privadas e eventos de uso; um grafo de conhecimento que relaciona órgãos, empresas, pessoas, preços e contratos; inteligência com previsões, investigações, pontuações e recomendações; operações de CRM, propostas, contratos e finanças; e uma interface com painel, alertas e agentes especializados. Entre as possibilidades futuras estão Private Customer Graph, agentes operacionais, marketplace B2G, crédito, seguros, rede de APIs e referências comparativas nacionais.

“Não se trata de mais uma ferramenta; a tese é conectar o que está dividido — previsão, investigação, decisão e caixa — para que cada licitação melhore a decisão”, afirma Tiago Mascarenhas, fundador da Olhary. A empresa descreve sua missão como desenvolver um sistema operacional de inteligência que acompanhe fornecedores da antecipação de oportunidades à coordenação da entrega, reunindo dados públicos e privados, agentes de IA, aplicações externas e resultados comerciais.