Bebê de 1 ano recebe diagnóstico de prisão de ventre seis vezes, mas tinha câncer

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Uma menina de 1 ano foi diagnosticada com neuroblastoma, um tipo de câncer infantil, depois que seus pais procuraram atendimento médico pelo menos seis vezes devido ao aumento do volume de seu abdômen. Florence Wilde, de Stourbridge, na Inglaterra, recebeu o diagnóstico em novembro de 2024, após semanas de sintomas inicialmente atribuídos à prisão de ventre. O tumor media aproximadamente 30 centímetros e pesava 2 quilos, enquanto a criança tinha 13 quilos.

Os pais, Anna Chattaway e Dom Wilde, ambos de 32 anos, perceberam que a barriga da filha estava crescendo rapidamente. Segundo Anna, que trabalha como psicóloga clínica, Florence havia enfrentado diferentes problemas de saúde nas semanas anteriores, incluindo infecções e a doença mão-pé-boca.

Com o aumento do abdômen, o casal procurou atendimento médico diversas vezes. A menina recebeu medicamentos laxantes, mas o tratamento não apresentou o resultado esperado. Enquanto isso, continuava sentindo dores e tinha dificuldades para dormir. “Durante três semanas, tive que forçá-la a tomar laxantes, o que foi horrível”, contou Anna ao jornal britânico Metro.

A mãe relatou que precisava manter Florence no colo, em posição vertical, durante a noite para ajudá-la a descansar. Mesmo com o uso dos medicamentos, a barriga da criança continuava aumentando. “Quando a barriga dela não diminuiu, os médicos deram mais laxantes, mas ela estava ficando maior. Ela não estava bem, e os laxantes não estavam ajudando, então tivemos que continuar insistindo com os médicos”, afirmou.

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Segundo Anna, em uma das consultas, um médico chegou a descartar a suspeita de câncer. A situação mudou quando a avó materna acompanhou a família em um novo atendimento e insistiu para que fossem realizados exames de sangue.

Os resultados apresentaram alterações, e Florence foi encaminhada imediatamente a uma unidade de avaliação pediátrica. Durante o exame físico, outro médico identificou irregularidades no abdômen que não eram compatíveis com o diagnóstico de prisão de ventre.

A investigação revelou um tumor de aproximadamente 30 centímetros. A massa, que pesava 2 quilos, representava cerca de 15% do peso corporal da menina. “Quando o tumor foi descoberto, tinha 30 centímetros, o que foi de partir o coração. Ela é tão pequena, então aquilo ocupava uma grande parte dela”, relatou Anna.

Florence foi submetida a uma cirurgia no Birmingham Children’s Hospital em 26 de novembro de 2024 e iniciou quimioterapia de emergência no dia seguinte. Inicialmente, os médicos acreditavam que o câncer estava localizado apenas no abdômen.

No entanto, exames realizados em janeiro de 2025 identificaram que a doença havia se espalhado para a coluna vertebral, caracterizando um neuroblastoma metastático, em estágio 4.

Em março daquele ano, Florence passou por outro procedimento, no qual foi removida aproximadamente 95% da massa tumoral localizada na coluna. Três semanas depois, iniciou sessões de quimioterapia em altas doses.

A menina também realizou cinco ciclos de imunoterapia, iniciados em outubro de 2025. Em abril de 2026, os pais receberam a informação de que o tumor havia parado de progredir.

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Ao recordar o período anterior ao diagnóstico, Anna afirmou que a família ainda questiona se a doença poderia ter sido identificada mais cedo. “Para nós, eu realmente acho que, se ela tivesse sido diagnosticada antes, talvez o tumor não tivesse ficado tão grande. Ficamos presos a esse pensamento por muitos meses, e foi horrível. Havia muita raiva”, contou.

Após Florence concluir o tratamento disponibilizado pelo Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), os pais iniciaram uma campanha para arrecadar 100 mil libras, destinadas a um medicamento chamado DFMO, utilizado em determinados casos para reduzir o risco de recaída do neuroblastoma.

Segundo a família, o tratamento deixou de estar disponível pelas vias habituais de acesso no Reino Unido pouco antes de Florence se tornar elegível para recebê-lo. Por isso, Anna e Dom passaram a buscar recursos para custear a medicação.

A mãe explicou que, após o tratamento convencional, a família poderia optar pelo acompanhamento para observar uma possível recorrência da doença ou buscar uma terapia adicional de prevenção.

Apesar das internações e dos procedimentos, Anna afirmou que a filha conseguiu manter parte de sua rotina e apresentou melhora após o tratamento. “Ela está indo incrivelmente bem, é uma menininha muito feliz. A vida em casa está boa”, disse.