Debate aprofunda polarização nas redes, mas não altera disputa, aponta AP Exata

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Flávio Bolsonaro e Lula trocam farpas no debate Band/Estadão (Foto: Instagram)

A discussão nas redes sociais sobre o debate Band/Estadão realizado no domingo, 18, seguiu o tom do evento televisivo, marcado por trocas de críticas e poucas propostas concretas. Apesar de fortes embates e ironias, a análise de menções digitais não identificou mudança consistente no equilíbrio da corrida presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Levantamento da empresa de inteligência de dados AP Exata, divulgado na manhã de segunda-feira, 19, aponta que as menções positivas ao candidato do PL caíram de 40,09% para 37,93%, uma queda de 2,16 pontos percentuais. Paralelamente, as avaliações favoráveis a Lula recuaram de 39,80% para 38,65% (-1,15 p.p.). Com isso, a vantagem momentânea de Flávio de 0,29 ponto se inverteu para 0,72 ponto a favor do presidente, levando em conta a margem de erro.

Em termos de confiança no desempenho, os índices se mantiveram praticamente estáveis: 15,18% para Flávio e 14,98% para Lula, resultando numa diferença de apenas 0,2 ponto. “A conclusão é que o debate desagradou o brasileiro de uma forma geral e derrubou as menções positivas dos dois”, avalia o cientista político Sergio Denicoli, CEO da AP Exata. Segundo ele, a variação está dentro da margem de erro do algoritmo, que possui 95% de assertividade e até 5% de taxa máxima de falsos negativos.

Entre os principais temas que ganharam força após o encontro, a direita digital destacou a defesa feita por Lula das saidinhas de presos, o ato falho do presidente ao afirmar que o Brasil “vai acabar” em caso de reeleição, além da expressão “malandro carioca” dirigida a Flávio, interpretada como ofensa aos residentes do Rio de Janeiro. Esses pontos foram amplamente compartilhados e debatidos entre perfis conservadores.

Do lado oposto, a resposta irônica de Lula ao questionamento de Flávio sobre votos em presidiários também virou tema de viralização. O presidente declarou que pretendia conquistar 100% dos votos, inclusive o do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Além disso, houve reforço nas críticas de que Flávio evitou falar sobre o caso Daniel Vorcaro e nas cobranças de Lula para a abertura de sigilos.

Para Denicoli, o próximo debate, agendado para sexta-feira, 23, na TV Globo, poderá ser o grande divisor de águas desta reta final de campanha. “A disputa chega praticamente empatada, com leve vantagem para Flávio, mas só um desempenho muito superior ao do último domingo pode alterar o quadro”, afirma o cientista político. Ele alerta ainda para o “imponderável” – como fatos inesperados em eleições anteriores – e reforça que, seguindo o curso normal, o debate pode consolidar de vez um dos candidatos.