
Pôster de Dark Horse: PF investiga discrepância de US$12 milhões enviados aos EUA e apenas US$2,8 milhões retornados ao Brasil (Foto: Instagram)
A Polícia Federal apontou uma divergência contábil considerada “severa” no financiamento do longa Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o levantamento, mais de US$ 12 milhões foram remetidos aos Estados Unidos para custear a produção, mas apenas US$ 2,8 milhões retornaram oficialmente ao Brasil. O desequilíbrio entre o montante exportado e o valor registrado localmente despertou suspeitas de irregularidades no uso dos recursos.
Segundo a investigação, os recursos tiveram origem na Entre Investimentos, empresa vinculada ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O valor foi transferido para o fundo Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, que representa o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A troca de comunicações entre as partes está sob análise para verificar se todos os trâmites obedeceram às normas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro.
Diante das inconsistências detectadas, a PF solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação do inquérito por mais 90 dias. O objetivo é aprofundar a perícia nos documentos financeiros, examinar contratos e rastrear o fluxo do capital. Os investigadores pretendem comprovar se os recursos foram efetivamente empregados na produção cinematográfica ou se o projeto teria funcionado como fachada para ocultação ou desvio de valores.
No pedido de extensão das diligências, apresentado recentemente ao STF, a Polícia Federal anexou planilhas e extratos bancários que apontam a disparidade entre os valores remetidos e os que teriam sido usados no Brasil. Esses documentos servirão de base para determinar eventuais ilícitos e identificar todos os envolvidos na operação. A análise de mensagens eletrônicas e comprovantes de pagamento também faz parte das apurações.
As suspeitas ganharam contornos públicos após reportagem do The Intercept revelar uma conversa de novembro do ano passado, em que o senador Flávio Bolsonaro, do PL, teria solicitado a Vorcaro recursos para financiar as filmagens. Na ocasião, o parlamentar negou ter acordado vantagem indevida e afirmou que se tratava de apoio financeiro privado, sem ligação com órgãos públicos ou partidos.
Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro foi formalmente incluído no inquérito que investiga o financiamento de Dark Horse. Desde então, seu papel e eventual influência no direcionamento dos recursos passaram a ser alvos diretos da Polícia Federal, que segue com as investigações para elucidar todas as etapas do fluxo financeiro.






