Cochilar durante o dia pode acender alerta para demência, aponta estudo com idosos

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Aquela vontade frequente de tirar uma soneca durante o dia pode estar ligada a um sinal importante sobre a saúde do cérebro. Um estudo publicado na revista científica The Journals of Gerontology: Medical Sciences acompanhou 995 idosos nos Estados Unidos e identificou que quem cochilava frequentemente apresentava 48% mais risco de desenvolver demência do que aqueles que raramente ou nunca dormiam durante o dia. Os pesquisadores acompanharam os participantes por até dez anos, considerando também condições de saúde e características do sono noturno.

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A pesquisa identificou ainda uma associação entre o risco de demência e os cochilos não planejados, quando a pessoa adormece sem querer. Nesse grupo, o risco foi 39% maior em comparação com quem não costumava cochilar. Já entre os participantes que tiravam sonecas frequentes, 51,1% desenvolveram demência possível ou provável durante o acompanhamento, contra 37,8% daqueles que não cochilavam. Os resultados indicam uma associação estatística, não uma relação de causa e efeito.

Os cientistas ressaltam que ainda não é possível afirmar se dormir durante o dia contribui para o desenvolvimento da demência ou se mudanças cerebrais iniciais fazem a pessoa sentir mais sono. A equipe observou que a associação entre cochilos frequentes e não intencionais permaneceu mesmo após excluir casos diagnosticados nos primeiros cinco anos de acompanhamento. Isso sugere que alterações no padrão de sono podem surgir antes de um diagnóstico, mas não comprova que a soneca seja responsável pela doença.

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A duração dos cochilos também foi analisada. Sonecas de até 30 minutos permaneceram associadas a maior risco mesmo após ajustes relacionados ao sono noturno, enquanto a associação com cochilos mais longos perdeu força após esses ajustes. Os autores destacam que as evidências ainda são limitadas e que são necessários novos estudos para entender essa relação. Portanto, cochilar não significa que alguém desenvolverá demência, mas mudanças persistentes no sono e sonolência excessiva merecem atenção, especialmente entre pessoas idosas.