Grávida é mandada para casa com sangramento, perde bebê e recebe indenização de quase 1 milhão

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Uma mulher britânica recebeu uma indenização de 130 mil libras, equivalente a aproximadamente R$ 900 mil, após perder a filha durante o parto, em abril de 2020, na Inglaterra. Alex Barr estava com 42 semanas de gestação quando procurou o Hospital de Poole, em Dorset, apresentando sangramento e frequência cardíaca elevada. Apesar dos sintomas, foi liberada para voltar para casa. Horas depois, precisou retornar de ambulância devido a uma hemorragia, mas a bebê, chamada Marnie, não resistiu.

Alex tinha uma indução do parto agendada para a noite de 20 de abril, mas decidiu procurar atendimento naquela manhã após perceber alterações em seu estado de saúde. Segundo seu relato, ela mostrou sangue vermelho vivo à equipe médica, mas, depois de aproximadamente 20 minutos de monitoramento, uma parteira autorizou sua saída e orientou que retornasse no horário previsto para o procedimento.

A profissional teria interpretado o sangramento como um sinal comum do início do trabalho de parto. Alex, no entanto, afirmou que estava preocupada com o que acontecia. “Fiquei realmente em pânico ao ver sangue no final da minha gravidez. Senti como se estivessem lavando as mãos em relação a mim”, contou.

Cerca de dez minutos depois de deixar o hospital, ela começou a sentir dores semelhantes às contrações. Ao chegar em casa, o sangramento havia se intensificado. Uma ambulância foi acionada para levá-la novamente à unidade de saúde.

No hospital, os profissionais não conseguiram identificar os batimentos cardíacos de Marnie. A morte da bebê foi constatada às 14h30 daquele dia. O parto ocorreu na manhã seguinte, 21 de abril de 2020, às 9h55.

Alex e o marido, Steven Barr, moradores de Christchurch, acreditam que a permanência dela no hospital poderia ter permitido a identificação de alterações nos batimentos cardíacos da filha e aumentado suas chances de sobrevivência.

A gestação já exigia acompanhamento adicional. Alex, que trabalha como enfermeira especializada em cuidados renais, havia enfrentado hiperêmese gravídica, condição caracterizada por náuseas e vômitos intensos. No terceiro trimestre, também precisou realizar exames extras após uma redução no ritmo de crescimento da bebê.

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Nas semanas anteriores ao parto, ela chegou a perguntar sobre os riscos de morte fetal e a possibilidade de antecipar o nascimento. A indução, porém, foi marcada para 12 dias depois da data prevista.

Após a perda, o casal iniciou uma ação judicial contra o University Hospitals Dorset NHS Foundation Trust, responsável pelo hospital. A investigação conduzida pelos advogados da família, do escritório Enable Law, identificou nove possíveis falhas no atendimento.

O processo terminou com o pagamento de 130 mil libras em indenização, mas a instituição não admitiu responsabilidade pelo ocorrido. O hospital contestou as alegações de negligência, incluindo a existência de um novo sangramento que exigisse atendimento imediato ou antecipação do parto.

Para Alex, o acordo financeiro não encerrou a busca por respostas sobre a morte da filha. “Nunca foi pelo dinheiro para nós, pois nenhuma quantia poderia substituir nossa filha ou reparar nossas vidas destruídas. Queríamos, e ainda queremos, responsabilização. Queríamos saber que a instituição reconheceu suas falhas e tomou medidas concretas para garantir que nenhuma outra família sofresse como nós”, declarou.

O casal também afirmou que tentou se reunir com representantes da instituição durante o processo judicial, mas o pedido não foi atendido. “Todo o processo judicial foi desumanizante. Sinto que não consegui justiça”, disse Alex.

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Em manifestação divulgada à imprensa, um porta-voz do University Hospitals Dorset lamentou a morte da bebê e afirmou que o atendimento prestado à família havia sido analisado. “Lamentamos muito por Alex e Steven Barr após a perda de sua filha Marnie. Analisamos o caso deles minuciosamente e sempre fazemos melhorias a partir de quaisquer recomendações ou aprendizados que identificamos. Também temos uma equipe dedicada à educação que oferece treinamentos ao longo do ano para nossos colegas”, informou.

A advogada Jennifer Janes, responsável por acompanhar a família, afirmou que o escritório recorreu a avaliações médicas independentes durante a investigação e manifestou preocupação com possíveis problemas na assistência obstétrica. “Continuamos seriamente preocupados com o fato de que os problemas na assistência à maternidade sejam culturais e sistêmicos, e isso frequentemente se reflete nas conclusões de investigações independentes”, declarou.

Mesmo após a indenização, Alex e Steven seguem defendendo mudanças no atendimento às gestantes para evitar que outras famílias enfrentem situações semelhantes.