Queimadas no Amazonas quase quadruplicam e Manaus fica sob fumaça; governo anuncia reforço

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Manaus encoberta pela fumaça das queimadas no Amazonas (Foto: Instagram)

Os focos de calor no Amazonas quase quadruplicaram em setembro deste ano, passando de 942 focos no mesmo período de 2022 para 3.726, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em outubro, o número já chega a 832 ocorrências. A intensa queima de vegetação secou áreas de floresta e pastagens, espalhando fumaça que cobriu Manaus e levou o governo federal a anunciar o envio de reforços para auxiliar no combate aos incêndios.

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Em Manaus, a poluição se agravou a níveis perigosos, com a Defesa Civil emitindo, na sexta-feira (09), um alerta de 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (MP2,5). Moradores foram orientados a usar máscaras ao sair de casa e evitar atividades ao ar livre, já que concentrações acima de 125 µg/m³ são classificadas como “péssimas” pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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Na sexta-feira, a prefeitura de Manaus suspendeu todas as aulas da rede municipal devido à piora da qualidade do ar. A decisão envolveu também os Centros Municipais de Arte-Educação (Cmaes), parques e unidades de atendimento especializado. Segundo a administração municipal, “de caráter preventivo, a medida visa preservar a saúde, a segurança e o bem-estar dos estudantes, profissionais da educação e de toda a comunidade escolar”.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) anunciaram, em nota conjunta, a suspensão das atividades presenciais até que haja melhora nos índices de poluição. Ambas as instituições ressaltaram a necessidade de proteger a comunidade acadêmica diante das condições adversas provocadas pela fumaça e pelos incêndios.

Na tarde do sábado (10), a plataforma internacional IQAir indicou média de 80,3 µg/m³ de MP2,5 em Manaus, classificando a qualidade do ar como “muito ruim” na zona central. Outras cidades do estado, como Anori, Anamã, Tapauá e Beruri, registraram algumas das piores médias de poluição do país, refletindo a extensão das queimadas na região.

A estiagem prolongada, sobretudo em agosto, contribuiu para o aumento da poluição e dificultou o combate às chamas. Queimadas usadas para renovação de pastagens se espalharam para áreas florestais, alimentadas pela vegetação seca. Em agosto, a falta de chuvas agravou a situação, segundo o Inpe.

Em junho, o governo estadual decretou estado de emergência climática e ambiental por 180 dias, com base nas projeções do El Niño, e em setembro proibiu o uso de fogo em todo o Amazonas por 120 dias. Apesar disso, em entrevista à Rede Amazônica, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, afirmou que o estado ainda não recebeu efetivamente o apoio prometido pelo governo federal.