Taxas de juros estendem rali e recuam em sessão com cenário eleitoral e externo

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Monitores exibem volatilidade da curva de juros futuros em meio ao rali impulsionado por cenário político (Foto: Instagram)

As taxas de juros futuros negociadas na B3 estenderam o rali iniciado na segunda-feira, impulsionadas pela inesperada liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno sobre o presidente Lula e pelo otimismo de parte dos investidores com uma possível redução do risco fiscal. O movimento ocorre após agentes abrirem posições aplicadas em contratos de Depósito Interfinanceiro, na expectativa de uma diminuição do prêmio exigido pelo risco fiscal. Apesar da reação positiva, dúvidas persistentes sobre o equilíbrio das contas públicas limitam as quedas adicionais, segundo operadores do mercado.

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No fechamento desta terça-feira (06), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 elevou-se levemente, de 13,41% para 13,428%, enquanto o DI para janeiro de 2029 recuou a 12,445% ante 12,591%. O DI com vencimento em janeiro de 2031 também caiu, passando de 12,653% para 12,560%, refletindo o movimento de alongamento da curva de juros.

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O cenário externo contribuiu para o suporte da renda fixa local. A moderação na alta do petróleo, com o barril de Brent para dezembro subindo modestos 0,26% a US$ 100,58, e o fechamento da curva dos Treasuries nos EUA ofereceram ambiente mais ameno aos títulos brasileiros. Fatores como tensões no Oriente Médio e maior oferta global de petróleo influenciaram o comportamento do mercado internacional.

Isabela Fukase, gestora de renda fixa da Tivio Capital, afirma que a euforia observada na segunda-feira seguiu impulsionando a curva de juros no pregão desta terça, ainda que em menor intensidade, após a surpresa positiva de Flávio Bolsonaro, que obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do presidente Lula. “Era um cenário que a maioria não esperava, e essa surpresa gerou um rali nos ativos”, comentou.

Apesar do movimento, Fukase ressalta que as taxas parecem encontrar um piso próximo a 12,50%, devido ao ceticismo sobre a viabilidade de um ajuste fiscal mais rigoroso mesmo com troca de governo em 2027. Ela lembra que as Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) apresentaram desempenho inferior ao dos DIs, reforçando a cautela dos investidores. “O juro real caiu entre 40 e 50 pontos-base, mas ainda há espaço para recuos, condicionados a compromissos fiscais claros”, explicou.

Para o analista Gustavo Danilo, da Manchester Investimentos, a rápida reprecificação do mercado indicou a aceleração de um cenário antes pouco refletido nos preços. No entanto, a continuidade da queda dos juros dependerá de confirmações vindas das pesquisas do segundo turno, dos direcionamentos de política econômica e fiscal e dos próximos resultados de inflação. Ao final do dia, a curva projetava a Selic em 13,25% no fim de 2026 e em 12,15% para o encerramento de 2027, segundo cálculos do Bmg, 0,5 ponto porcentual abaixo do nível atual.